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terça-feira, 24 de Novembro de 2009

ANGOLA - A caminho do Leste


Logo no primeiro recoveiro fui ver as obras a ultimar no apeadeiro de Mutuècai. Gostava de ir na máquina, ao lado do fogueiro, um homem rude com a cara enfarruscada – que viera do Minho; e do maquinista – um ferroviário do Barreiro. Mas muito mais gostava de poder apitar e puxar o cordel que fazia apitar a máquina as vezes que me dava na gana. Com a cumplicidade e o sorriso compreensivo dos maquinistas, eu apitava por tudo e por nada: – era uma alegria!

in - O CAÇADOR DE BRUMAS

domingo, 22 de Novembro de 2009

Como el mar quiere a su agua

Ahora te quiero,
como el mar quiere a su agua:
desde fuera, por arriba,
haciéndose sin parar
con ella tormentas, fugas,
albergues, descansos, calmas.
¡Qué frenesíes, quererte!
¡Qué entusiasmo de olas altas,
y qué desmayos de espuma
van y vienen!
Un tropel
de formas, hechas, deshechas,
galopan desmelenadas.
Pero detrás de sus flancos
está soñándose un sueño
de otra forma más profunda
de querer, que está allá abajo:
de no ser ya movimiento,
de acabar este vaivén,
este ir y venir, de cielosa abismos,
de hallar por fin
la inmóvil flor sin otoño
de un quererse quieto, quieto.
Más allá de ola y espuma
el querer busca su fondo.
Esta hondura donde el mar
hizo la paz con su agua
y están queriéndose ya
sin signo, sin movimiento.
Amortan sepultado en su ser,
tan entregado, tan quieto,
que nuestro querer en vida
se sintiese
seguro de no acabar
cuando terminan los besos,
las miradas, las señales.
Tan cierto de no morir,
como está
el gran amor de los muertos.
Pedro Salinas
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sábado, 21 de Novembro de 2009

ANGOLA na distância !

Nas estações em que o “mala” parava era a festa. Foi assim em Benguela, Catumbela e Lobito. Toda a gente branca, em romaria vinha ver o comboio. O gentio olhava estarrecido para aquela máquina, a deitar fumo por todos os lados. Não admira. Outro tanto tinha também acontecido lá nas Beiras. Segundo contava o meu avô Jerónimo Casteleiro, a primeira vez que os campónios viram o comboio, acudiram à linha com grandes mantas para se não constipar.
in - O CAÇADOR DE BRUMAS
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Prespectivas



«Todos os cogumelos podem ser comidos, mas alguns só se comem uma vez»

"FAÇAM O FAVOR DE SER FELIZES !"


quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

TRAZ UMA AMIGO TAMBÉM ...



Meu querido Amigo/a


Esta coisa do escrever tem os seus detalhes!
Além de um "escravo" ter de dar ao dedo para escrever, depois de muito matutar, vêm as Editoras e querem vender livros e, para tal, querem que o pessoal se apresente numa cerimónia a que chamam lançamento.
Este vosso amigo necessita hoje de tudo isso!
No próximo dia 4 de Dezembro na Livraria Bulhosa do Campo Grande, - mesmo em frente da paragem de Entre-Campos, do Metro - pelas 18h30, iremos apresentar o meu livro, ESCRITAS NA AREIA - 2ª. edição; será o mesmo apresentado pelo meu amigo de infância e toda a vida, o arquitecto JOSÉ EDUARDO PIRES MARQUES, também ele um homem do Fundão - e algumas passagens do mesmo lidas e comentadas por outro amigo do peito, um grande AMIGO, - com mais de 130kg! - o JOÃO DAVID NUNES.
Ora bem: era importante que estivesse presente - a nossa amizade tem um preço! - e que, se possivel, trouxesse um outro amigo para animar a malta, - como diria aquele outro glorioso pensador, pois estas coisas das literaturas têm os seus quês.
Eu sei que tudo isto se tornará fácil com a a sua ajuda.
É isso mesmo que eu espero.
Um abraço daqueles que sempre damos.


João Sena

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Portugal esquece os seus soldados



Por toda a Europa celebraram-se ontem 91 anos sobre o fim da I Guerra Mundial e, no dia da Memória, como lhe chamam, homenagearam-se todos os que mor-reram em todas as guerras desde aí. Em França, o momento fez história, já que reuniu frente ao túmulo do soldado desconhecido, em Paris, os representantes de dois dos países que se confrontaram violentamente, Nicolas Sarkozy e Angela Merkel, numa iniciativa até aqui sempre recusada pelo governo alemão. Mas agora que, de cada lado do Reno, já não há veteranos do conflito, foi possível dar um passo de reconciliação. Na ocasião, Sarkozy puxou pelo seu lado mais sentimental lembrando que as crianças francesas e alemãs choraram da mesma forma pelos seus pais perdidos em combate.
No Reino Unido, a família real e os políticos multiplicaram-se em cerimónias, num ano igualmente simbólico, já que morreram recentemente os últimos três veteranos da I Grande Guerra. Mas as manchetes dos jornais chamavam a atenção, sobretudo, para o conflito no Afeganistão, que emociona, agita e desespera a opinião pública britânica, quando já 223 ingleses ali perderam a vida, desde 2001, e a retirada não está à vista. Os caixões das fotografias de primeira página não eram amarelecidas pelo tempo. Estes acabaram de chegar…
Apenas dois depois das celebrações da queda do muro de Berlim, o contraste é a prova de que nem todos os muros caíram. Em Portugal recordamos pouco e temos uma dificuldade enorme em falar dos nossos soldados mortos no Ultramar, ou que ainda hoje sofrem sequelas profundas daqueles combates. Quando não recordamos, não homenageamos aqueles que deram a vida pelo seu país, roubamos sentido à dor e traímo-los. Os combatentes em África, por força de um volte-face político, não tiveram direito a ser tratados como heróis.
Fomos incapazes de distinguir a justeza da guerra (e há alguma que o seja?) com a generosidade de quem cumpriu o seu dever. E um país que não é capaz de recordar é, paradoxalmente, um país sem futuro.


Isabel Stilwell
12 11 2009


terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Manuscrito do poema "Metamorfoses da Palavra" de EUGÉNIO DE ANDRADE

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CARTA DO BRASIL

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NO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA


"(...) E se aos presos dei imediata liberdade; se puz de parte denuncias; se afastei denunciantes e rasguei mandactos de captura, fi-lo apenas dominado pela justiça e pelo desejo de bem servir a república; visto que êles, tinham um unico crime: o "crime" de serem republicanos! Denuncias e denunciantes foram acolher-se no gabinete do comissário (...) forçando-me a intrometer nos serviços do comissário e obrigando-me a que me impozesse e evitasse desta forma muitas prisões preventivas e a deportação como "vadios" de muitos homens de trabalho, cujo único crime era serem bons e dedicados republicanos."

Não preciso de informar que para o autor o assassino de Sidónio (também de nome Costa e que nos interrogatórios se dizia maçon!) foi comandado pelo "braço monárquico".
Está agora explicado a bondade do regime para com os delinquentes assim como a amnistia presidencial que a República concedeu aos dedicados republicanos das FP25!


CUERPO & ESPIRITU


segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

In illo tempore



quando Roma se libertou do medo de Cartago, e afastada a sua rival, o caminho da virtude foi sendo substituído pelo da corrupção, não gradualmente, mas de forma rápida. A antiga disciplina foi abandonada para dar lugar a uma nova. A cidadania passou da vigília ao sono, das armas aos prazeres, da actividade ao ócio.”


Veleio Patérculo, no início do séc. I a.C.

A VOZ QUE VEM DE LONGE


A Minha Mãe ensinou-me GENÉTICA...


'ÉS IGUALZINHO AO TEU PAI!'

domingo, 15 de Novembro de 2009

NAVEGAR ...

Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
o que importa é partir, não é chegar.
Miguel Torga
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sábado, 14 de Novembro de 2009

Um dia igual ao outro

...
E pronto o despertar.
Um dia igual ao outro.
Sempre o pão duro,
remolhado
na gamela da miséria
e da triste solidão!
No fim da rua canta um cego.
Bate o sol na roufenha concertina,
toa alegres pasodoles,
enleados
em chotis repenicados.
– Hay alegria en la calle!
e a gentes, ao passar,
soltam as pesetillas!
À tarde,
quando vem a sombra,
pára a música.
Entre as palmas do compasso
do bater da bota na calçada,
geme o canto hondo,
requebrado,
falado e soluçado.
É a mágoa arrastada,
gemida e vomitada,
carpindo eterno morto.
Entre os prantos solta risos,
cínicos e desdentados...
Canta marchas perdidas daqueles
que foram à guerra.
São gritos de esperanças perdidas
nas histórias sofridas
dos tristes já sem terra.
Canta loas,
desenganos,
de um qualquer louco que
se perdeu por bem pouco:
– apenas pela sua terra!
Mas ele ali estava e ali vivia,
sem ter de subir escadas,
negras,
sujas,
emporcadas,
e gente que só subia.
Cansado da longa espera
e sem bandeiras ou louros,
em tarde de bebedeira,
esqueceu a própria cegueira
marchou,
– y se fue a los toros !

JS
Madrid 15/10/79
Dez anos depois da morte de JOSÉ RÉGIO
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É Outono

"O mundo é um lugar perigoso para se viver, não por causa daqueles que causam mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."
Albert Einstein
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Fragmento do Homem


Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. Convenhamos que é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. A obsessão do lucro foi transformando o homem num objecto com preço marcado.

Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável dos simulacros. Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e máscaras.·E poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogmático é mais do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias à «sabedoria» do corpo, em que o privilégio de uns poucos é utilizado implacavelmente para transformar o indivíduo em «cadáver adiado que procria», como poderia a arte deixar de reflectir uma tal situação, se cada palavra, cada ritmo, cada cor, onde espírito e sangue ardem no mesmo fogo, estão arraigados no próprio cerne da vida?


Desamparado até à medula, afogado nas águas difíceis da sua contradição, morrendo à míngua de autenticidade - eis o homem! Eis a triste, mutilada face humana, mais nostálgica de qualquer doutrina teológica que preocupada com uma problemática moral, que não sabe como fundar e instituir, pois nenhuma fará autoridade se não tiver em conta a totalidade do ser; nenhuma, em que espírito e vida sejam concebidos como irreconciliáveis; nenhuma, enquanto reduzir o homem a um fragmento do homem. Nós aprendemos com Pascal que o erro vem da exclusão.


Eugénio de Andrade
in 'Os Afluentes do Silêncio'


sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

O Colégio Militar




Ex-alunos do Colégio Militar são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade




A ideia de que a natureza tem horror ao vácuo fazia parte da física na Idade Média. Mas esta lei do horror tem corolários na vida actual: os políticos incompetentes têm horror a novas caras nos partidos; os escroques têm horror a uma justiça que funcione; e, do mesmo modo, os bons investidores têm horror a uma justiça que não funciona. E podíamos continuar, mas vem tudo isto a propósito das notícias recentes sobre Colégio Militar.
Devo declarar que não frequentei o Colégio, embora com pena minha, porque o meu Pai entendeu que eu poderia ser seduzido pela vida militar e para tal bastava ele. O meu irmão esteve no Colégio, por circunstâncias familiares extremas, não se deu bem, e saiu ao fim de dois anos, se bem me lembro.
Não tenho, portanto, especiais ligações ao Colégio Militar (CM) mas tenho muitos amigos (e dos bons) que por lá passaram.
As recentes notícias dão uma ideia do Colégio como uma escola de sevícias e de maus tratos.
Problemas de maus tratos em escolas sempre existiram e devem ser combatidos com determinação pelas autoridades da escola em causa, mas não faz da escola uma instituição a fechar.
Lembro-me bem de, há uns anos na minha Faculdade, terem ocorrido praxes indignas das nossas caloiras e imediatamente o Director de então tomou medidas para que tal não voltasse a acontecer. E não aconteceu.
O CM não é excepção, mas o que está em causa é uma tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa com uma longa tradição de serviço ao País.
Recordo, com alguma tristeza, que uma das "regalias" de um militar morto em combate em África era os filhos terem educação gratuita no CM. Por esse facto e por as pensões de sobrevivência serem, à época, absolutamente miseráveis (recordo-me de casos concretos), havia sempre vários órfãos no Colégio.
Fazia parte das obrigações dos graduados (ou seja, alunos finalistas do CM) terem não só uns ratas (alunos caloiros) como seus protegidos mas também cuidarem dos dramas de algum aluno cujo pai tivesse morrido.
Quem conhece ex-alunos do Colégio sabe que têm uma organização e uma coesão ímpar em qualquer outra escola. Falam do Colégio com saudade e têm um respeito pela instituição como ninguém tem da sua escola. Nela se fizeram amizades que perduram para toda a vida e alguns dos meus melhores amigos são ex-alunos do CM e devo confessar que são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade.
O Colégio Militar dá educação em sentido pleno do termo. Tem um ensino de excelente qualidade e dá quadros de valores que nenhuma outra escola garante.
Em 1975, numa acção de dinamização organizada para os alunos do Colégio por gente afecta ao PCP -Varela Gomes, Faria Paulino e outros - começaram a atacar a instituição e a apelidarem os alunos de príncipes privilegiados. Um aluno dos mais novos, ou seja com uns 11 anos, levanta-se e calmamente diz que é filho de um oficial que morreu em combate, que se não fosse o Colégio não poderia estudar e não percebia onde estava o príncipe.
Os protestos generalizaram-se (teve lugar uma gigantesca boiada, usando a terminologia do CM) e a comissão de dinamização foi forçada a sair pela porta dos fâmulos -porta de serviço - e não pela porta principal. Foi o enxovalho total, apesar de os oficiais tentarem, em vão, acalmar os alunos.
É gente de fibra.
Aliás sempre foi assim. Faz parte da sua história mais antiga que quando teve lugar o atentado a Sidónio Pais gerou-se, naturalmente, o pânico entre a população e as unidades militares ajudaram à turbamulta. A única unidade que manteve a calma, ajudou a população e evitou mais mortos foi exactamente uma unidade do Colégio. Portanto, a tradição vem de longe.
O ensino tem uma qualidade excepcional e que não é possível sem um internato, onde os laboratórios de línguas e as salas de estudo estão ao lado do picadeiro e da sala de esgrima. Qualquer pai, cá fora, que tente dar a mesma formação passaria o tempo a servir de motorista do filho. É, aliás,uma tradição muito antiga dos melhores colégios ingleses.
Como professor na universidade, sempre que tenho conhecimento de que um aluno meu veio do CM, posso testemunhar o aprumo, o à vontade, a auto-confiança e o profissionalismo com que está numa aula. Tudo isto, em flagrante contraste com os colegas, especialmente os mais betinhos.
Além disso, como os alunos são tratados por igual, têm um número (que vem antes do nome), andam vestidos com farda e os filhos de pais ricos não se distinguem dos filhos de pais pobres. Também por isso, o convívio democrático hierarquizado é a regra. Ainda bem.
O contraste é gritante com o que se passa nas nossas escolas. E a anarquia, quase geral em que vive o ensino secundário, tem horror ao Colégio Militar, obviamente.
Aliás, a verdade é mais funda: a anarquia quase geral da nossa sociedade tem horror à instituição militar. Uma instituição organizada, como a militar, que cultiva os valores da honra, da camaradagem, da disciplina e do dever para com a Pátria, não pode ser bem vista pela sociedade actual.
A nossa vida colectiva - a civil - privilegia o oportunismo, habituou-se aos casos de corrupção (com ou sem fundamento), tem uma imprensa virada para o escândalo e uma televisão com novelas que são difusoras da falta valores e da ausência dos bons costumes.
O Colégio Militar poderá acabar mas as razões estão na nossa sociedade e não dentro dos muros do Colégio. O horror à decência é dos indecentes.

Luis Campos e Cunha
Professor universitário
in - Público 13/11/09


FIM












Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!


Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá Carneiro

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

VIRIATO



À memória de Francisco Sá Carneiro


Fiz das planícies montanhas,
Um gládio do meu cajado
e dos rebanhos, soldados.
– Assim construí o meu Povo!

Por escarpas e ravinas,
forjei Homens, rasguei sinas :
– Caminhos de gente livre !

Do suor fiz sangue e terra.
Na guerra , gerei meus filhos,
livres todos,
como gritos perdidos nas serranias!

Rios de dor enxuguei e o invasor dominei.
No tempo da minha idade
naufraguei no vento um grito:
– O grito da Liberdade !

Roma foi ficando mais distante.
Às águias altaneiras um novo rumo risquei,
e entre cardos
e tojos,
barrocas,
escarpas,
nascentes,
rios novos e torrentes,
o meu Povo Libertei :
– Bárbaros!
... mas sem coleiras !

E para meu grito calar
tiveram de me matar !


JS
Dezembro de 1990


DIÁRIO DE UM LOUCO

Lavrou a terra desde menino e o mar desde rapaz. Já homem e em dias cinzentos, nos bancos da Terra Nova, plenos de vagas, medos, silêncio e morte, lançou iscas e anzóis e apanhou bacalhaus. Uns grandes mas a maioria deles eram muito pequenos.
No “dorie” passou a sua juventude e sonhos, cheios de nevoeiro e frio, em beliches estreitos do partilhar do espaço.
Já velho e cansado voltou ao mar. Desta vez só para apanhar chocos e lulas ali mesmo junto da barraca a que teve direito.
Noite adentro, no pequeno bote, foi-se acostumando de novo ao mar.
Dias iguais em dias iguais.
O nevoeiro regressou de novo. Lentamente. Aos poucos, e sem que se desse conta, toldou as estrelas, o rumo e o regresso. Cansado e à deriva, e na força da corrente foi arrastado para a costa.
Só deu conta de que o barco se estava a afundar quando os arrifes o destroçaram.
Agora, na falésia, sem nevoeiro, sem barco e sem sonho, fica, em silêncio, a olhar o mar.
Menos mal que ainda vive e não está cego.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

A crise...


Está morrendo gente que antes não morria.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Foi um anjo

Foi um anjo, melodia
que voou para os meus braços
sem amplexo tão ardente...
Curou todas as feridas
que me traziam doente...
Mas hoje, amanhã e sempre
trarei no peito em chamas
a triste recordação
do tempo que não vivi.
Foram dias, foram anos
vividos pelos pinhais,
sentindo como os navios
perdidos… órfãos de cais...
Com o sol nasceu encanto
abraçado aos braços dela...
Veio o Verão, Primavera,
guardando o meu Outono
numa caixa de Pandora...
Foi a aventura sincera
sem amargura nem dor,
foi tudo, foi quase nada,
apenas um grande amor.
joaquim evónio
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sábado, 7 de Novembro de 2009

Já que a má sorte assim quiz ...


“Creio que é quase sempre necessário um toque de loucura para edificar um destino.”
Marguerite Yourcenar
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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Fico ao teu lado



As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muros
em coisas escritas.
Deixa o presente.

Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.
Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.


cecília meireles

VIVER DESPENTEADA


Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...

O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto enruga. E o que é realmente bom dessa vida, despenteia...
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível...

É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir;
Pode ser que se sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora. O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria... e talvez deveria seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz? Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita... A pessoa mais bonita que posso ser!

O único que realmente importa é que ao me olhar no espelho,veja a mulher que devo ser.
Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres é:
Entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável, admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo, deixe a vida te despentear!!!!

O pior que pode acontecer é que, rindo, frente ao espelho, você precise se pentear de novo...


recebido por e-mail

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Ton miroir



Homme libre, toujours tu chériras la mer!
La mer est ton miroir, tu contemples ton âme
Dans le déroulement infini de sa lame
Et ton esprit n'est pas un gouffre moins amer.

Tu te plais a plonger au sein de ton image;
Tu l'embrasses des yeux et des bras, et ton coeur
Se distrait quelquefois de sa propre rumeur
Au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.

Vous êtes tous les deux ténébreux et discrets;
Homme, nul n'a sondé le fond de tes abîmes;
O mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!

Et cependant voilà des siècles innombrables
Que vous vous combattez sans pitié ni remords,
Tellement vous aimez le carnage et la mort,
O lutteurs éternels, O frères implacables!


Charles Baudelaire
Pintura de El-Rei D. Carlos

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Prespectivas


terça-feira, 3 de Novembro de 2009

PROFUNDIDADES ...






AS LEIS SÃO COM AS TEIAS DE ARANHA.
OS PEQUENOS INSECTOS FICAM PRESOS. OS GRANDES, FURAM-NA.
Autor desconhecido

A carta de um AMIGO


Caro João


Aproveitei para ler nas férias as tuas “Escritas na Areia”e, devo dizer que fui agradavelmente surpreendido pela tua prosa, que me levou a evocar a minha juventude numa pequena aldeia, Vila de Frades (Vidigueira), cuja vivência será, aliás semelhante à de outros companheiros contemporâneos, tais como os primeiros Amigos, a bola, o primeiro beijo, e descer a rua principal da aldeia num par de patins dados pelo Menino Jesus…

Devo revelar que me deixou atónito a riqueza de vocabulário assumindo diversos matizes do erudito ao jargão ordinário. As recordações de adolescência e os episódios picarescos ocorridos (ou não) fazem-nos retrogradar meio século a um Portugal que já só existe na nossa memória mas em que a decência, a honestidade, e o sentido frugal da vida fazem envergonhar qualquer democracia e, estou convicto, servirão de émulo e estímulo à construção de uma Nova Sociedade, que, antevejo, não se fará esperar.

Finalmente, a África e a guerra, João, as tuas narrativas de Angola embora com equipamento aligeirado, espelham o modo como nos integrámos e relacionámos com os locais (termo mais
fino que nativos).

Falando agora na operação em que participaste, também demonstrativa de como a condução da guerra era incompetente e irresponsável. Os nossos homens em África mereciam uma melhor e mais coordenada direcção de guerra, sem falar no disparate táctico que é arrastar a luta até ao cansaço do Inimigo. Mas isso são contas de outro rosário…

Acrescento ainda, que nas evocações de juventude a melancolia e a saudade imperam, em trechos que são poesia, dispensando a rima.

Pois é caro João, não quero que vejas no acima exposto qualquer intenção de crítica, o meu intento, desde o princípio, foi dar-te os parabéns pela tua obra “Escrita na Areia” que estou certo, calará fundo nos nossos queridos companheiros de jornada. Assim seja.

Aquele Abraço,

Carlos Passanha Pereira


segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

O Muro das Lamentações



Une jeune journaliste de CNN avait entendu parler d'un très, très vieux juif qui se rendait deux fois par jour prier au mur des lamentations, depuis toujours.
Pensant tenir un sujet, elle se rend sur place et voit un très vieil homme marchant lentement vers le mur.
Après trois quarts d'heure de prière et alors qu'il s'éloigne lentement,appuyé sur sa canne, elle s'approche pour l'interviewer.
"Excusez-moi, monsieur, je suis Rebecca Smith de CNN. Quel est votre nom ?"
"Morris Fishbien" répond-t-il.
"Depuis combien de temps venez-vous prier ici ?"
"Plus de 60 ans".
"60 ans ! C'est incroyable ! Et pour quoi priez-vous ?"
"Je prie pour la paix entre les Chrétiens, les Juifs et les Musulmans. Je prie pour la fin de toutes les guerres et de la haine. Je prie pour que nos enfants grandissent en sécurité et deviennent des adultes responsables, qui aiment leur prochain."
"Et que ressentez-vous après 60 ans de prières ?"
"J'ai l'impression de parler à un mur !!!"


sábado, 31 de Outubro de 2009

DIA DOS FINADOS ...

As sombras chegaram. Ficou a manhã sombria.
Na memória dos afectos as sombras, umas vezes claras outras mais escuras, aparecem e desvanecem-se.
No carrocel da memória tudo gira e todos passam.
São tantos... tantos...
e nós cada dia mais perto!
Vêm à memória abraços, carinhos, sorrisos e tantas lembranças de tantos que nos amaram e nos quiserem bem e já há tanto tempo partiram!
É o Dia da Saudade.
A terra húmida, há pouco, mais uns quantos agasalhou para sempre.
Ficam as folhas dos plátanos amarelecidas nas ruas dos cemitérios e as flores que cobrem a saudade a murchar ao frio dos dias do Outono.
Ao fundo da colina o rio corre sereno.
É Dia de Finados!
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CONFERÊNCIAS

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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

O ACERTAR DAS CONTAS ...




Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, deixou atónitos os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.
A conferência dos chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e de exactidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.

Eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.
Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque?
Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação?
Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio?
Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indemnização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não.
No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar.
Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa.


quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Hay besos

Hay besos que pronuncian por sí solos
la sentencia de amor condenatoria,
hay besos que se dan con la mirada
hay besos que se dan con la memoria.
Hay besos silenciosos, besos nobles
hay besos enigmáticos, sinceros
hay besos que se dan sólo las almas
hay besos por prohibidos, verdaderos.
Hay besos que calcinan y que hieren,
hay besos que arrebatan los sentidos,
hay besos misteriosos que han dejado
mil sueños errantes y perdidos.
Hay besos problemáticos que encierran
una clave que nadie ha descifrado,
hay besos que engendran la tragedia
cuantas rosas en broche han deshojado.
Hay besos perfumados, besos tibios
que palpitan en íntimos anhelos,
hay besos que en los labios dejan huellas
como un campo de sol entre dos hielos.
Hay besos que parecen azucenas
por sublimes, ingenuos y por puros,
hay besos traicioneros y cobardes,
hay besos maldecidos y perjuros.
Judas besa a Jesús y deja impresa
en su rostro de Dios, la felonía,
mientras la Magdalena con sus besos
fortifica piadosa su agonía.
Desde entonces en los besos palpita
el amor, la traición y los dolores,
en las bodas humanas se parecen
a la brisa que juega con las flores.
Hay besos que producen desvaríos
de amorosa pasión ardiente y loca,
tú los conoces bien son besos míos
inventados por mí, para tu boca.
Besos de llama que en rastro impreso
llevan los surcos de un amor vedado,
besos de tempestad, salvajes besos
que solo nuestros labios han probado.
¿Te acuerdas del primero...? Indefinible;
cubrió tu faz de cárdenos sonrojos
y en los espasmos de emoción terrible,
llenaron sé de lágrimas tus ojos.
¿Te acuerdas que una tarde en loco exceso
te vi celoso imaginando agravios,
te suspendí en mis brazos... vibró un beso,
y qué viste después...? Sangre en mis labios.
Yo te enseñe a besar: los besos fríos
son de impasible corazón de roca,
yo te enseñé a besar con besos míos
inventados por mí, para tu boca.
Gabriela Mistral
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Preservada na distância




Tens agora outro rosto, outra beleza:
Um rosto que é preciso imaginar,
E uma beleza mais furtiva ainda...
Assim te modelaram caprichosas,
Mãos irreais que tornam irreal
O barro que nos foge da retina.
Barro que em ti passou de luz carnal
A bruma feminina...


Mas nesse novo encanto
Te conjuro
Que permaneças.
Distante e preservada na distância.
Olímpica recusa, disfarçada
De terrena promessa
Feita aos olhos tentados e descrentes.
Nenhum mito regressa....
Todas as deusas são mulheres ausentes...


Miguel Torga

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Definição de PROFESSOR





O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.


Jô Soares

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

“ MILICIANOS – OS PEÕES DAS NICAS” de RUI NEVES DA SILVA








OS MILICIANOS



Acabei de ler o livro “ MILICIANOS – OS PEÕES DAS NICAS” do Rui Neves da Silva.
Depois, fiquei largo tempo em silêncio, a memoriar quanto tinha lido.
Quanto lera me incomodara. Me tocara bem fundo. Na alma.
Fiquei com a sensação de ter desfolhado um velho álbum de fotografias de amigos meus que há muito não abria.
Um álbum de retratos carregado da poeira do tempo que foi o nosso.
No passar das folhas já gastas, encontrei fotografias a sépia, carcomidas pela saudade.
Outras, a preto e branco, próprias desse mesmo tempo em que éramos jovens.
E muitas, muitas, tremendas e reais, do que foi a tragédia dos que morreram, o medo, o desconforto, o sangue, a raiva, o muito suor, a sede, o calor e o frio, o torpor que mata, a angústia das horas, a solidão de quem comanda, a saudade dos que ficaram, a alegria da chegada, a frustração do recomeçar de novo, a constatação dos laços que os ligaram e da peganhosa indiferença, mesmo dos nossos, mais a aviltante e suprema ingratidão dos mesmos que, durante anos e repetidas vezes, tinham alterado o rumo de tantas vidas.
Porém, entre todas, as piores, talvez as mais trágicas, foram as últimas: as fotos rasgadas e riscadas, de um tempo de chacais e lobos, que, num momento, conseguiram arrastar na lama, tudo o que fora História; da sarjeta de onde emergiram, tentaram imolar, os melhores anos de todas as vidas, nas fogueiras das utopias das igualdades e das fraternidades, impostas a tiro ou pela arruaça na rua.
Agora, serenamente, e com a experiência da vida de quem aprendeu, com recrutas e cursos e estágios e comissões e intrigas, e reuniões e movimentos, e serviu, honradamente, julgo dever ser esta obra, notável, estudada, detalhadamente, no ensino militar. Ficarão a saber como se fizeram chefes e comandantes com gente de primeira água como o foram quantos nestas páginas deixaram a sua marca e o seu rasto. Foram estes que em três frentes de combate resistiram, combateram e venceram. Senão a guerra, pelo menos aqueles que na circunstancia eram o inimigo.
Muito me temo que tenha sido, esta, a última gesta de uma Pátria livre defendida pelos seus filhos.
Também aqui os historiadores, que não sejam vesgos ou preconceituosos, poderão encontrar retratados, com arte e rigor, muitos, mas muitos, casos que ninguém conhece.
Esta epopeia, não mais será repetida.




CARTA DO BRASIL



Dia seguinte.

É hoje seu grande dia. Quando vou sair com alguém, faço questão da dar uma passada na academia no dia, para malhar desumanamente até quase cuspir o pulmão. Não, não é para emagrecer, é para deixar minha bunda e minhas pernas enormes e durinhas (elas ficam inchadas depois de malhar).

Geralmente, o Zé Ruela não comunica onde vai levar a gente. Surge aquele dilema da roupa. Com certeza você vai errar, resta escolher se quer errar para mais ou para menos. Se te serve de consolo, ele não vai perceber.

Alias, ele não vai perceber nada. Você pode aparecer de Armani ou enrolada em um saco de batatas, tanto faz. Eles não reparam em detalhe nenhum, mas sabem dizer quando estamos bonitas (só não sabem o porquê). Mas, é como dizia Angie Dickinson: 'Eu me visto para as mulheres e me dispo para os homens’. Não tem como, a gente se arruma, mesmo que eles não reparem.

Escolhida a roupa, com a resignação que você vai errar, para mais ou para menos, vem a etapa do banho. Depois do banho e do cabelo, vem a maquiagem. Nessa etapa eu perco muito tempo. Lá vai a babaca separar cílio por cílio com palito de dente depois de passar rímel.

Depois vem a hora de se vestir. Homens não entendem, mas tem dias que a gente acorda gorda. É sério, no dia anterior o corpo estava lindo e no dia seguinte... PORCA! Não sei o que é (provavelmente nossa imaginação), mas eu juro que acontece. Muitas vezes você compra uma roupa para um evento, na loja fica linda e na hora de sair fica uma merda. Se for um desses dias em que seu corpo está uma merda e o espelho está de sacanagem com a sua cara, é provável que você acabe com um pilha de roupas recusadas em cima da cama, chorando, com um armário cheio de roupa gritando 'EU NÃO TENHO ROOOOOUUUUUPAAAA'. O chato é ter que refazer a maquiagem. E quando você inventa de colocar aquela calça apertada e tem que deitar na cama e pedir para outro ser humano enfiar ela em você? Uma gracinha, já vai para o jantar lacrada a vácuo. Se espirrar a calça perfura o pâncreas.

Ok, você achou uma roupa que ficou boa. Vem o dilema da lingerie. Salvo raras exceções, roupa feminina (incluindo lingerie) ou é bonita, ou é confortável.

Você olha para aquela sua calcinha de algodão do tamanho de uma lona de circo. Ela é confortável. E cor de pele. Praticamente um método anticoncepcional. Você pensa 'Eu não vou dar para ele hoje mesmo, que se f....a'. Você veste a calcinha. Aí bate a culpa. Eu sinto culpa se ando com roupa confortável, meu inconsciente já associou estar bem vestida a sofrimento. Aí você começa a pensar 'E se mesmo sem dar para ele, ele pode acabar vendo a minha calcinha... Vai que no restaurante tem uma escada e eu tenho que subir na frente dele... se ele olhar para essa calcinha, broxará para todo o sempre comigo...'.
Muito puta da vida, você tira a sua calcinha amiga e coloca uma daquelas porras mínimas e rendadas, que com certeza vão ficar entrando na sua bunda a noite toda. Melhor prevenir.

Os sapatos. Vale o mesmo que eu disse sobre roupas: ou é bonito, ou é confortável. Geralmente, quando tenho um encontro importante, opto por UMA PEÇA de roupa bem bonita e desconfortável, e o resto menos bonito mas confortável. FATO: Lei de Murphy impera. Com certeza me vai ser exigido esforço da parte comprometida pelo desconforto. Exemplo: Vou com roupa confortável e sapato assassino. Certeza que no meio da noite o animal vai soltar um 'Sei que você adora dançar, vamos sair para dançar! Eu tento fazer parecer que as lágrimas são de emoção. Uma vez, um sapato me machucou tanto, mas tanto, que fiz um bilhete para mim mesma e colei no sapato, para lembrar de nunca mais usar! Porque eu não dei o sapato? Porra... me custou muito caro. Posso não usá-lo, mas quero tê-lo. Eu sei, eu sei, materialista do c…. Vou voltar como besouro de esterco na próxima encarnação e comer muito coco para ver se evoluo espiritualmente! Mas por hora, o sapato fica.

Depois que você está toda montadinha, lutando mentalmente com seus dilemas do tipo 'será que dou para ele? É o terceiro encontro, talvez eu deva dar...' Começa a bater a ansiedade. Cada uma lida de um jeito.

Tenho um faniquito e começo a dizer que não quero ir. Não para ele, ligo para a infeliz da minha melhor amiga e digo que não quero mais ir, que sair para conhecer pessoas é muito estressante, que se um dia eu tiver um AVC é culpa dessa tensão toda que eu passei na vida toda em todos os primeiros encontros e que quero voltar tartaruga na próxima encarnação. Ela, coitada, escuta pacientemente e tenta me acalmar.

Agora imaginem vocês, se depois de tudo isso, o filho da puta liga e cancela o encontro? 'Surgiu um imprevisto, podemos deixar para semana que vem? ‘.

Gente, não é má vontade ou intransigência, mas eu acho inadmissível uma coisa dessas, a menos que seja algo muito grave! Eu fico puta, puta, PUTA da vida!
Claro, na cabecinha deles não custa nada mesmo, eles acham que é simples, que a gente levantou da cama e foi direto pro carro deles. Se eles soubessem o trabalho que dá, o estresse, o tempo perdido... nunca ousariam remarcar nada.
Se f...e aí! Vem me buscar de maca e no soro, mas não desmarque comigo! Até porque, a essas alturas, a dieta radical do queijo está quase te fazendo desmaiar de fome, é questão de vida ou morte a porra do jantar!
NÃO CANCELEM ENCONTROS A MENOS QUE TENHA ACONTECIDO ALGO MUITO, MUITO, GRAVE! DO TIPO...MORRER A MÃE OU O PAI TER UM AVC NO TRÂNSITO.

Supondo que ele venha. Ele liga e diz que está chegando. Você passa perfume, escova os dentes e vai. Quando entra no carro já toma um eufemismo na lata 'HUMMM... tá cheirosa!' (tecla sap: 'Passou muito perfume, porra'). Ele nem sequer olha para a sua roupa. Ele não repara em nada, ele acha que você é assim ao natural. Eu não ligo, porque acho que homem que repara muito é meio viado, mas isso frustra algumas mulheres. E se ele for tirar a sua roupa, grandes chances dele tirar a calça junto com a calcinha e nem ver.
Pois é, Minha Amiga, você passou a noite toda com a rendinha atochada no rego (que por sinal custou muito caro) para nada.. Homens, vocês sabiam que uma boa calcinha, de marca, pode custar o mesmo que um MP4? Favor tirar sem rasgar.

Quando é comigo, passo tanto estresse que chego no jantar com um pouco de raiva do cidadão. No meio da noite, já não sinto mais meus dedos dos pés, devido ao princípio de gangrena em função do sapato de bico fino. Quando ele conta piadas e ri eu penso 'É, eu também estaria de bom humor, contando piada, se não fosse essa calcinha intra-uterina raspando no colo do meu útero'. A culpa não é deles, é minha, por ser surtada com a estética. Sinto o estômago fagocitando meu fígado, mas apenas belisco a comida de leve. Fico constrangida de mostrar toda a minha potência estomacal assim, de primeira.

Para finalizar, quero ressaltar que eu falei aqui do desgaste emocional e da disponibilidade de tempo que um encontro nos provoca. Nem sequer entrei no mérito do DINHEIRO. Pois é, tudo isso custa caro. Vou fazer uma estimativa POR BAIXO, muito por baixo, porque geralmente pagamos bem mais do que isso e fazemos mais tratamentos estéticos:

Roupa... ............ .......... R$ 200,00
Lingerie.. ........... ..........R$ 80,00
Maquiagem..... ....... ........R$ 50,00
Sapato........... .... ..........R$ 150,00
Depilação..... ......... .......R$ 50,00
Mão e pé................. ......R$ 15,00
Perfume...... …..... ..........R$ 80,00
Pílula anticoncepcional. ......R$ 20,00

Ou seja, JOGANDO O VALOR BEM PARA BAIXO, gastamos, no barato, R$ 500,00 para sair com um Zé Ruela.
Entendem porque eu bato o pé e digo que homem TEM QUE PAGAR O MOTEL?

A gente gasta muito mais para sair com eles do que ele com a gente!


CONSIDERAÇÕES FILOSÓFICAS ... no feminino



Considerando que:

Os homens bons são feios.
Os homens bonitos não são bons.
Os homens bonitos e bons são gays.
Os homens bonitos, bons e heterossexuais estão casados.
Os homens que não são bonitos, mas são bons, não têm dinheiro.
Os homens que não são bonitos, mas que são bons e com dinheiro, pensam que só estamos atrás de seu dinheiro.
Os homens bonitos, que não são bons e são heterossexuais, não acham que somos suficientemente bonitas.
Os homens que nos acham bonitas, que são heterossexuais, bons e têm dinheiro, são covardes.
Os homens que são bonitos, bons, têm dinheiro e graças a Deus são heterossexuais, são tímidos e NUNCA DÃO O PRIMEIRO PASSO!
Os homens que nunca dão o primeiro passo, automaticamente perdem o interesse em nós quando tomamos a iniciativa.
AGORA... QUEM NESSE MUNDO ENTENDE OS HOMENS?


MORAL DA HISTÓRIA:
Homens são como um bom vinho. Todos começam como uvas, e é dever da mulher pisa-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia pro jantar.

'Mulheres existem para serem amadas, não para serem entendidas.'
(Vinicius de Moraes)


segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Rui Neves da Silva - in memorium

Vencido sem remédio na derradeira luta abalou hoje o Rui Neves da Silva. Leva no alforge para a viagem uma vida plena, cheia de trabalhos e canseiras, alegrias e vitórias, e muita saudade dos seus que por cá ficaram.
A vida foi pequena para tanto Homem!
Talvez na bravura do mar, que entrava terra adentro na sua vila de Espinho, aprendeu a não temer as tempestades. Para sobreviver, ele e os seus, escreveu mil histórias sem título que a Agência Portuguesa de Revistas dava à estampa nos anos 60.
Com uma formação académica superior ligada à contabilidade e à economia das empresas, a sua carreira profissional desenvolveu-se no âmbito da auditoria financeira numa empresa britânica da especialidade a operar em Portugal, até ser, por diversas vezes, interrompida com consecutivas chamada às fileiras do Exército, durante os anos da Guerra de África. Terminou os seus largos anos de oficial, a comandar, em combate e como capitão, uma companhia no Leste de Angola.
Com a mestria de quem viveu e sabe contar, escreveu um livro, notável pelo testemunho de um tempo:"Milicianos - os piões das nicas". Simplesmente, brilhante.
Este ano, voltou a nos surpreender com outro interessante romance: " A Comendadora", baseado numa história verdadeira passada nos anos 30 no Norte do país.
Homem de afectos e carinhos deixa em todos nós a saudade de mais um camarada que parte. De mais um dos bravos capitães milicianos que, na guerra, souberam honrar a Pátria. De um Português de espinha direita que, sem cedências nem lamúrias, soube, SEMPRE, cumprir o seu Dever.
Sem querer ser vulgar, hoje, nas tertúlias onde se cante o fado, que ele tantas vezes também cantou, deveria fazer-se silêncio...
que se calem os fadistas e as guitarras, pois um Poeta morreu!
- Clarim: Morreu um Soldado. Toca a silêncio!
Com muita saudade
JS

DESEJO






Desejo primeiro, que você ame,
e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
que mesmo maus e inconsequentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que, em pelo menos num deles,
você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
desejo ainda que tenha inimigos;
Nem muitos, nem poucos,
mas na medida exacta para que, algumas vezes,
você se interpele a respeito
das suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
mas não insubstituivel.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante;
não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você sendo jovem
não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
e que sendo velho não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
e é preciso que elas escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste;
não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
que o riso diário é bom;
o riso habitual é insosso
e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
com a máxima urgência.
acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos,
injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo que você afague um gato,
alimente um cuco e ouça o rouxinol
erguer triunfante o seu canto matinal;
porque assim, você bem por nada.

Desejo que você plante uma semente,
por mais minúscula que seja,
e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas
muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo outrossim, que você tenha dinheiro,
porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
coloque um pouco dele
na sua frente e diga "isso é meu",
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum dos seus afectos morra,
por ele e por você,
mas que se morrer, você possa chorar
sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você, sendo um homem,
tenha uma boa mulher,
e que sendo mulher,
tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e o dia seguinte,
e quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
não tenho nada mais a desejar.


VICTOR HUGO


domingo, 25 de Outubro de 2009

OS TRES PILARES DA ECONOMIA


sábado, 24 de Outubro de 2009

Dê picante à sua vida...



Hoje em dia, parece que tudo o que é bom faz mal, mas os amantes da comida indiana têm boas razões para alegrar-se.
Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh revelou que a capsaicina, o composto que torna as malaguetas picantes, combate activamente o cancro do pâncreas, levando as células cancerosas a autodestruírem-se.
Num estudo separado do Centro Oncológico M D. Anderson, da Universidade do Texas, descobriu-se que a curcumina, que se encontra no açafrão-das-índias e em muitos pós de caril, bloqueava uma via de passagem biológica necessária ao desenvolvimento dos melanomas e outros cancros. Já se sabia que a curcumina tinha propriedades anti-oxidantes e anti-inflamatórias;
Esta nova descoberta também pode ajudar a explicar porque é que a Índia regista dez vezes menos casos de cancros do cólon, mama, próstata e pulmões do que o país que em todo o Mundo gasta mais dinheiro em medicamentos: os Estados Unidos.

É DE RIR .....



SÓ O PUGRAMA NOBAS OPURTONIDADES É QUE NOS BAI SALBAR...É BERDADE!


As seguintes afirmações foram retiradas de diversas provas globais este ano:


Biologia
'A respiração anaeróbia é a respiração sem ar que não deve passar de três minutos.'
(Queria ver o artista a experimentar)
' As plantas distinguem-se dos animais por só respirarem à noite.'
(E tu enquadras-te em que categoria? A julgar pela falta de oxigénio no cérebro deve ser na 1ª, não?)
'Os crustáceos fora de água respiram como podem.'
(É como a resposta: respondeu como pôde...)
'Carácter sexual secundário são as modificações morfológicas sofridas por um indivíduo após manter relações sexuais.'
(Deves ser cá um leão na cama!)
'A insónia consiste em dormir ao contrário.'
(Eu é que te viro ao contrário, sua anta!)
'Quando um animal irracional não tem água para beber, só sobrevive se for empalhado.'
(Por essa ordem de ideias, já há algum tempo que não deves ter nada para beber...)
'O coração é o único órgão que não deixa de funcionar 24 horas por dia.'
(Pois, e os outros vão todos prós copos!)
'Os ruminantes distinguem-se dos outros animais porque o que comem, comem duas vezes.'
(Este fala por experiência própria, com certeza!)
'As aves têm na boca um dente chamado bico.'
(Tu é que precisavas de levar um bico nessa boca!)
'A principal função da raiz é enterrar-se.'
(Já te enterraste e bem )
'O vento é uma imensa quantidade de ar.'
(E ar é o que não falta dentro dessa cabecinha!)

História
'O objectivo de uma Sociedade Anónima é ter muitas fabricas desconhecidas.'
(E a sociedade por quotas é constituída por pessoas com alguma idade , certo?)
'Na Grécia a democracia funcionava muito bem porque os que não estavam de acordo envenenavam-se.'

'As múmias tinham um profundo conhecimento de anatomia.'
(Eram muitos espertas, as múmias!)
'A arquitectura gótica notabilizou-se por fazer edifícios verticais.'
(Bem visto, nunca tinha reparado nisso!)
'A febre amarela foi trazida da China por Marco Polo..'
(E a febre tifóide, terá vindo da Tifolândia?)
'A harpa é uma asa que toca.'
(Tu é que podias bater as asinhas e ir cantar para outra freguesia...)
'Péricles foi o principal ditador da democracia Grega.'
(...Ou terá sido o principal democrata da ditadura Grega?!)
'Os Egípcios antigos desenvolveram a arte funerária para que os mortos pudessem viver melhor.'
(E resultou! Basta ver o ar de felicidade das múmias, quando saem da pirâmide para dar uma volta...)

Geografia
'O petróleo apareceu há muitos séculos, numa época em que os peixes afogavam-se dentro de água.'

'O problema fundamental do terceiro mundo é a superabundância de necessidades.'

Geologia
'Terramoto é um pequeno movimento de terras não cultivadas.'
(Sim, porque as terras cultivadas não se metem nisso!)

Química
'Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigénio.'
(Um gajo já não pode ser bom!...)

recebido por e-mail

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

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quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Amar se aprende amando...



De hoje em diante todos os dias ao acordar, direi: - Eu hoje vou ser feliz !
Vou lembrar de agradecer ao sol pelo seu alor e luminosidade.
Sentirei que estou vivendo, respirando.
Posso desfrutar de todos os recursos da natureza gratuitamente.
Não preciso comprar o canto dos pássaros, nem o murmúrio das águas do mar.
Lembrarei de sentir a beleza das árvores e das flores.


Vou sorrir mais, sempre que puder.
Vou cultivar mais amizades e neutralizar as inimizades.
Não vou julgar os atos de meus semelhantes ou companheiros.
Vou aprimorar os meus.
Lembrarei de ligar para alguém para dizer que estou com saudade !
Reservarei minutos de silêncio para ter a oportunidade de ouvir.
Não vou lamentar nem amargar as injustiças.
Vou pensar no que posso fazer para diminuir seus efeitos.
Terei sempre em mente que um minuto passado, não volta mais.
Vou viver todos os momentos, proveitosamente.
Não vou sofrer por antecipação prevendo futuros incertos, nem com atraso,
lembrando de coisas sobre as quais não tenho mais ação.
Não vou pensar no que não tenho e que gostaria de ter,
Mas em como ser feliz com o que possuo.
E, o maior bem que possuo, é a própria vida!
Vou lembrar de ler uma poesia e de ouvir uma canção,
Vou dedicá-las a alguém.
Vou fazer alguma coisa para alguém, sem esperar nada
Em troca, apenas pelo prazer de ver alguém sorrir.
Vou lembrar que existe alguém que me quer bem.
Vou dedicar uns minutos de pensamento para os que já
Se foram, para que saibam que serão sempre uma doce
lembrança, até que venhamos a nos encontrar outra vez.


Vou procurar dar um pouco de alegria para alguém,
Especialmente quando sentir que a tristeza e o desânimo querem se aproximar.
E, quando a noite chegar, vou olhar para o céu, para as estrelas e para o luar e agradecer a Deus...
Porque hoje eu fui feliz!...


Carlos Drumond de Andrade


ENCONTRO DOS ANTIGOS COMBATENTES




Caros Conterrâneos e Antigos Combatentes no Ultramar:



Uma Palavra, hoje infelizmente tão esquecida, justificaria, só por si, a presença de todos nós neste Encontro.
Essa Palavra é PÁTRIA – a nossa Pátria, o nosso Portugal.
Honrando e defendendo a sua existência – um Legado dos nossos Avós –, honramos e defendemos um Espaço Sagrado, cujas fronteiras de mais de oitocentos anos, são as mais antigas desta Velha Europa. Mas não só! Dou a palavra ao historiador Michael Harsgsor na sua obra “Portugal in Revolution”:
“Na verdade, desde o séc. III, Portugal mantém as suas fronteiras continentais praticamente intocáveis e consequentemente as mais antigas do mundo” (fim de citação).
Mas, para além desse Espaço Sagrado, lembramos e honramos prioritariamente - hoje e aqui -, a Gesta Lusa que deu “novos mundos ao Mundo”. Essa gigantesca Aventura, que foi um Devir constante da Alma Lusitana, só foi possível porque o nosso heróico Povo conseguiu gerar de entre as suas gentes, os Valentes Capitães que foram “da lei da morte libertados” ao escreverem as páginas mais gloriosas da nossa História.
Em linguagem dos nossos dias, a instituição herdeira da Missão, Ideais e Valores legadas por esses Valentes Capitães, reside nas Forças Armadas Portuguesas, último garante da soberania e independência da Nação.
Foi essa missão – por vezes tão dura, mas sempre nobre – que às Forças Armadas coube assumir ao longo de oito séculos de História.
Se nos concentrarmos apenas nos tempos mais recentes – o já findo séc. XX em que nascemos –, as Forç
as Armadas Portuguesas foram chamadas a intervir, com nossos Avós, na IGG (1914-18) e com nós próprios, décadas depois, na Guerra do Ultramar (1961-74). E estes foram anos bem duros, sem dúvida, entre “perigos e guerras esforçados”, como diria o nosso Épico imortal.
Ninguém contesta que a GUERRA – seja ela qual for, onde for e contra quem for – constitui sempre uma enorme calamidade, a todos os títulos indesejável. Mas diz a realidade histórica que é um fenómeno recorrente e tão antigo quanto a própria humanidade.
Muito bem vinda é sempre a PAZ, uma Paz justa e duradoura. Porém, não esqueçamos que já em 390 DC, o notável pensador romano Publius Renatus (Publius Flavius Vegetus Renatus) chamava a atenção para outra realidade: “Si Vis Pacem Para Bellum”, que quer dizer “Se queres a Paz, prepara a Guerra”. Ora é bem sabido como mal andaram os Povos que disso não tomaram boa nota.
Mas voltando ao que pessoalmente nos tocou enquanto Antigos Combatentes no Ultramar, nunca será demais lembrar que não foi Portugal a iniciar esse último conflito em que se viu envolvido durante 13 anos. É um facto que não foi. Aconteceu antes uma súbita acção de guerrilha que foi movida a soldo da cobiça e interesses estranhos, a qual levou o terror a portugueses indefesos (e alguns deles saídos desta nossa aldeia). A Nação foi obrigada a reagir pelo que a todos viria a exigir grandes sacrifícios. Para muitos exigiu mesmo a dádiva suprema da própria vida.
Saibamos ser dignos deles, honrando a sua memória com humildade e com respeito. É por isso e para isso que aqui estamos!
Não há outra ilação a tirar destes Encontros ou do tão representativo Painel junto ao Adro da nossa Igreja Matriz.
Nem se misture o dever cumprido, que só nos honra, com ilações ou controvérsias de qualquer outra ordem.
Com efeito, não é a esse nível que se situam estes nossos convívios de Antigos Combatentes da Meimoa. Situamo-nos seguramente ao nível dos Valores visando a exaltação da nobreza do nosso Povo. Povo esse que é o “detentor das virtudes da Raça” no feliz enunciado do eminente beirão, Dr. Jaime Lopes Dias.
Do que se trata, em suma, neste nosso convívio é tão-somente de um Encontro com a nossa História.
Não me foi possível estar presente nas Reuniões anteriores por motivos graves de saúde ou de carácter inadiável. Permitam-me assim que, hoje perante vós e enquanto membro mais antigo das FA, nascido neste recanto serrano de pergaminhos milenares – a nossa MEIMOA, Princesa hodierna da Cova da Beira, como já o fora da Nutricience Romana –, permitam-me, repito, que saúde efusivamente a tão patriótica iniciativa que vem dando lugar a estes eventos.

A todos nós que nos batemos em defesa da nossa Pátria, qualquer que tenha sido o posto, lugar ou condição, cabe o conforto do dever cumprido. É a certeza deste sentimento que poderá também dar sentido ao sacrifício último dos que já não estão entre nós. E de entre estes, a quem coube a dádiva suprema, desejo evocar com especial emoção e o mais profundo respeito os combatentes da Meimoa, caídos no Ultramar ao serviço da Pátria. A eles dediquei o Soneto, que aquando do 1º Encontro, enviei ao nosso Presidente da JF, Joaquim Cabanas.
Embora nessa altura já tenha sido apresentado por especial gentileza do nosso companheiro, antigo combatente Juiz Desembargador Celestino Cabanas Bento, seja permitido que pessoalmente o recorde e reviva neste fraterno Encontro.
AOS ANTIGOS COMBATENTES DA MEIMOA


Eu te saúdo Antigo Combatente
Como espelho da Pátria quecontemplo;
Revejo em ti o Portugal Valente
E quão digno da História é teu exemplo.

Aquém e Além-mar soubeste erguer
Mais alta ainda a Gesta Lusitana
Honrando o destemor e o querer
Das gentes rijas que este Povo irmana.
Seja este humilde verso o pedestal
Que sendo teu, o deste a Portugal,
Dádiva dum sentir que em nós ressoa

Porque é orgulho de nossos Avós.
Cale bem fundo em cada um de nós
A gratidão dos filhos da MEIMOA!



Homenagem aos Antigos Combatentes da Meimoa, lembrando os que tombaram no Ultramar ao serviço da Pátria:
.Em Angola - Capitão Francisco Pires Bento, a 4JUL1918
.Em Moçambique - Alferes João José Fonseca Nabais, a 8FEV1974
.Em Angola - Sargento Manuel dos Reis, 1961

João Afonso Bento Soares
Major General
Meimoa aos 18 de Outubro de 2009

Outono ... tempo do sonho!

"Amo tudo o que é velho: velhas camisolas, velhos amigos, velhos tempos, velhas maneiras, velhos livros, velhos vinhos..."
Olivier Goldsmith
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terça-feira, 20 de Outubro de 2009

E esta ... en?!






No exterior do England 's Bristol Zoo existe um parque de estacionamento para 150 carros e 8 autocarros. Durante 25 anos, a cobrança do estacionamento foi efectuada por um muito simpático cobrador.
As taxas eram o correspondente a 1.40 € para carros e 7.00 € para os autocarros. Um dia, após 25 sólidos anos de nenhuma falta ao trabalho, o cobrador simplesmente não apareceu.
A administração do Zoo, então, ligou para a Câmara Municipal e solicitou que enviassem um outro cobrador.
A Câmara fez uma pequena pesquisa e respondeu que o estacionamento do Zoo era da responsabilidade do próprio Zoo, não dela.
A administração do Zoo respondeu que o cobrador era um empregado da Câmara.
A Câmara, por sua vez, respondeu que o cobrador do estacionamento jamais fizera parte dos seus quadros e que nunca lhe tinha pago ordenado.
Enquanto isso, descansando na sua bela residência nalgum lugar da costa da Espanha (ou algo parecido), existe um homem que, aparentemente, instalou a máquina de cobrança por sua conta e então, simplesmente começou a aparecer, todos os dias, cobrando e guardando as taxas de estacionamento, estimadas em 560 € por dia... durante 25 anos!!! Assumindo que ele trabalhava os 7 dias da semana, arrecadou algo em torno de 7 milhões de Euros. E ninguém sabe, nem sequer, o seu nome ...!!!


»Transcrito do The London Times»