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sábado, 7 de Novembro de 2009

Já que a má sorte assim quiz ...


“Creio que é quase sempre necessário um toque de loucura para edificar um destino.”
Marguerite Yourcenar
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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Fico ao teu lado



As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muros
em coisas escritas.
Deixa o presente.

Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.
Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.


cecília meireles

VIVER DESPENTEADA


Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...

O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto enruga. E o que é realmente bom dessa vida, despenteia...
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível...

É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir;
Pode ser que se sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora. O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça, coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria... e talvez deveria seguir as instruções, mas quando vão me dar a ordem de ser feliz? Por acaso não se dão conta que para ficar bonita eu tenho que me sentir bonita... A pessoa mais bonita que posso ser!

O único que realmente importa é que ao me olhar no espelho,veja a mulher que devo ser.
Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres é:
Entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável, admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo, deixe a vida te despentear!!!!

O pior que pode acontecer é que, rindo, frente ao espelho, você precise se pentear de novo...


recebido por e-mail

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Ton miroir



Homme libre, toujours tu chériras la mer!
La mer est ton miroir, tu contemples ton âme
Dans le déroulement infini de sa lame
Et ton esprit n'est pas un gouffre moins amer.

Tu te plais a plonger au sein de ton image;
Tu l'embrasses des yeux et des bras, et ton coeur
Se distrait quelquefois de sa propre rumeur
Au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.

Vous êtes tous les deux ténébreux et discrets;
Homme, nul n'a sondé le fond de tes abîmes;
O mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!

Et cependant voilà des siècles innombrables
Que vous vous combattez sans pitié ni remords,
Tellement vous aimez le carnage et la mort,
O lutteurs éternels, O frères implacables!


Charles Baudelaire
Pintura de El-Rei D. Carlos

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Prespectivas


terça-feira, 3 de Novembro de 2009

PROFUNDIDADES ...






AS LEIS SÃO COM AS TEIAS DE ARANHA.
OS PEQUENOS INSECTOS FICAM PRESOS. OS GRANDES, FURAM-NA.
Autor desconhecido

A carta de um AMIGO


Caro João


Aproveitei para ler nas férias as tuas “Escritas na Areia”e, devo dizer que fui agradavelmente surpreendido pela tua prosa, que me levou a evocar a minha juventude numa pequena aldeia, Vila de Frades (Vidigueira), cuja vivência será, aliás semelhante à de outros companheiros contemporâneos, tais como os primeiros Amigos, a bola, o primeiro beijo, e descer a rua principal da aldeia num par de patins dados pelo Menino Jesus…

Devo revelar que me deixou atónito a riqueza de vocabulário assumindo diversos matizes do erudito ao jargão ordinário. As recordações de adolescência e os episódios picarescos ocorridos (ou não) fazem-nos retrogradar meio século a um Portugal que já só existe na nossa memória mas em que a decência, a honestidade, e o sentido frugal da vida fazem envergonhar qualquer democracia e, estou convicto, servirão de émulo e estímulo à construção de uma Nova Sociedade, que, antevejo, não se fará esperar.

Finalmente, a África e a guerra, João, as tuas narrativas de Angola embora com equipamento aligeirado, espelham o modo como nos integrámos e relacionámos com os locais (termo mais
fino que nativos).

Falando agora na operação em que participaste, também demonstrativa de como a condução da guerra era incompetente e irresponsável. Os nossos homens em África mereciam uma melhor e mais coordenada direcção de guerra, sem falar no disparate táctico que é arrastar a luta até ao cansaço do Inimigo. Mas isso são contas de outro rosário…

Acrescento ainda, que nas evocações de juventude a melancolia e a saudade imperam, em trechos que são poesia, dispensando a rima.

Pois é caro João, não quero que vejas no acima exposto qualquer intenção de crítica, o meu intento, desde o princípio, foi dar-te os parabéns pela tua obra “Escrita na Areia” que estou certo, calará fundo nos nossos queridos companheiros de jornada. Assim seja.

Aquele Abraço,

Carlos Passanha Pereira


segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

O Muro das Lamentações



Une jeune journaliste de CNN avait entendu parler d'un très, très vieux juif qui se rendait deux fois par jour prier au mur des lamentations, depuis toujours.
Pensant tenir un sujet, elle se rend sur place et voit un très vieil homme marchant lentement vers le mur.
Après trois quarts d'heure de prière et alors qu'il s'éloigne lentement,appuyé sur sa canne, elle s'approche pour l'interviewer.
"Excusez-moi, monsieur, je suis Rebecca Smith de CNN. Quel est votre nom ?"
"Morris Fishbien" répond-t-il.
"Depuis combien de temps venez-vous prier ici ?"
"Plus de 60 ans".
"60 ans ! C'est incroyable ! Et pour quoi priez-vous ?"
"Je prie pour la paix entre les Chrétiens, les Juifs et les Musulmans. Je prie pour la fin de toutes les guerres et de la haine. Je prie pour que nos enfants grandissent en sécurité et deviennent des adultes responsables, qui aiment leur prochain."
"Et que ressentez-vous après 60 ans de prières ?"
"J'ai l'impression de parler à un mur !!!"


sábado, 31 de Outubro de 2009

DIA DOS FINADOS ...

As sombras chegaram. Ficou a manhã sombria.
Na memória dos afectos as sombras, umas vezes claras outras mais escuras, aparecem e desvanecem-se.
No carrocel da memória tudo gira e todos passam.
São tantos... tantos...
e nós cada dia mais perto!
Vêm à memória abraços, carinhos, sorrisos e tantas lembranças de tantos que nos amaram e nos quiserem bem e já há tanto tempo partiram!
É o Dia da Saudade.
A terra húmida, há pouco, mais uns quantos agasalhou para sempre.
Ficam as folhas dos plátanos amarelecidas nas ruas dos cemitérios e as flores que cobrem a saudade a murchar ao frio dos dias do Outono.
Ao fundo da colina o rio corre sereno.
É Dia de Finados!
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CONFERÊNCIAS

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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

O ACERTAR DAS CONTAS ...




Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, deixou atónitos os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.
A conferência dos chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e de exactidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.

Eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.
Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque?
Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!
Teria sido espoliação?
Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.
Teria sido genocídio?
Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indemnização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não.
No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar.
Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa.


quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Hay besos

Hay besos que pronuncian por sí solos
la sentencia de amor condenatoria,
hay besos que se dan con la mirada
hay besos que se dan con la memoria.
Hay besos silenciosos, besos nobles
hay besos enigmáticos, sinceros
hay besos que se dan sólo las almas
hay besos por prohibidos, verdaderos.
Hay besos que calcinan y que hieren,
hay besos que arrebatan los sentidos,
hay besos misteriosos que han dejado
mil sueños errantes y perdidos.
Hay besos problemáticos que encierran
una clave que nadie ha descifrado,
hay besos que engendran la tragedia
cuantas rosas en broche han deshojado.
Hay besos perfumados, besos tibios
que palpitan en íntimos anhelos,
hay besos que en los labios dejan huellas
como un campo de sol entre dos hielos.
Hay besos que parecen azucenas
por sublimes, ingenuos y por puros,
hay besos traicioneros y cobardes,
hay besos maldecidos y perjuros.
Judas besa a Jesús y deja impresa
en su rostro de Dios, la felonía,
mientras la Magdalena con sus besos
fortifica piadosa su agonía.
Desde entonces en los besos palpita
el amor, la traición y los dolores,
en las bodas humanas se parecen
a la brisa que juega con las flores.
Hay besos que producen desvaríos
de amorosa pasión ardiente y loca,
tú los conoces bien son besos míos
inventados por mí, para tu boca.
Besos de llama que en rastro impreso
llevan los surcos de un amor vedado,
besos de tempestad, salvajes besos
que solo nuestros labios han probado.
¿Te acuerdas del primero...? Indefinible;
cubrió tu faz de cárdenos sonrojos
y en los espasmos de emoción terrible,
llenaron sé de lágrimas tus ojos.
¿Te acuerdas que una tarde en loco exceso
te vi celoso imaginando agravios,
te suspendí en mis brazos... vibró un beso,
y qué viste después...? Sangre en mis labios.
Yo te enseñe a besar: los besos fríos
son de impasible corazón de roca,
yo te enseñé a besar con besos míos
inventados por mí, para tu boca.
Gabriela Mistral
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Preservada na distância




Tens agora outro rosto, outra beleza:
Um rosto que é preciso imaginar,
E uma beleza mais furtiva ainda...
Assim te modelaram caprichosas,
Mãos irreais que tornam irreal
O barro que nos foge da retina.
Barro que em ti passou de luz carnal
A bruma feminina...


Mas nesse novo encanto
Te conjuro
Que permaneças.
Distante e preservada na distância.
Olímpica recusa, disfarçada
De terrena promessa
Feita aos olhos tentados e descrentes.
Nenhum mito regressa....
Todas as deusas são mulheres ausentes...


Miguel Torga

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Definição de PROFESSOR





O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.


Jô Soares

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

“ MILICIANOS – OS PEÕES DAS NICAS” de RUI NEVES DA SILVA








OS MILICIANOS



Acabei de ler o livro “ MILICIANOS – OS PEÕES DAS NICAS” do Rui Neves da Silva.
Depois, fiquei largo tempo em silêncio, a memoriar quanto tinha lido.
Quanto lera me incomodara. Me tocara bem fundo. Na alma.
Fiquei com a sensação de ter desfolhado um velho álbum de fotografias de amigos meus que há muito não abria.
Um álbum de retratos carregado da poeira do tempo que foi o nosso.
No passar das folhas já gastas, encontrei fotografias a sépia, carcomidas pela saudade.
Outras, a preto e branco, próprias desse mesmo tempo em que éramos jovens.
E muitas, muitas, tremendas e reais, do que foi a tragédia dos que morreram, o medo, o desconforto, o sangue, a raiva, o muito suor, a sede, o calor e o frio, o torpor que mata, a angústia das horas, a solidão de quem comanda, a saudade dos que ficaram, a alegria da chegada, a frustração do recomeçar de novo, a constatação dos laços que os ligaram e da peganhosa indiferença, mesmo dos nossos, mais a aviltante e suprema ingratidão dos mesmos que, durante anos e repetidas vezes, tinham alterado o rumo de tantas vidas.
Porém, entre todas, as piores, talvez as mais trágicas, foram as últimas: as fotos rasgadas e riscadas, de um tempo de chacais e lobos, que, num momento, conseguiram arrastar na lama, tudo o que fora História; da sarjeta de onde emergiram, tentaram imolar, os melhores anos de todas as vidas, nas fogueiras das utopias das igualdades e das fraternidades, impostas a tiro ou pela arruaça na rua.
Agora, serenamente, e com a experiência da vida de quem aprendeu, com recrutas e cursos e estágios e comissões e intrigas, e reuniões e movimentos, e serviu, honradamente, julgo dever ser esta obra, notável, estudada, detalhadamente, no ensino militar. Ficarão a saber como se fizeram chefes e comandantes com gente de primeira água como o foram quantos nestas páginas deixaram a sua marca e o seu rasto. Foram estes que em três frentes de combate resistiram, combateram e venceram. Senão a guerra, pelo menos aqueles que na circunstancia eram o inimigo.
Muito me temo que tenha sido, esta, a última gesta de uma Pátria livre defendida pelos seus filhos.
Também aqui os historiadores, que não sejam vesgos ou preconceituosos, poderão encontrar retratados, com arte e rigor, muitos, mas muitos, casos que ninguém conhece.
Esta epopeia, não mais será repetida.




CARTA DO BRASIL



Dia seguinte.

É hoje seu grande dia. Quando vou sair com alguém, faço questão da dar uma passada na academia no dia, para malhar desumanamente até quase cuspir o pulmão. Não, não é para emagrecer, é para deixar minha bunda e minhas pernas enormes e durinhas (elas ficam inchadas depois de malhar).

Geralmente, o Zé Ruela não comunica onde vai levar a gente. Surge aquele dilema da roupa. Com certeza você vai errar, resta escolher se quer errar para mais ou para menos. Se te serve de consolo, ele não vai perceber.

Alias, ele não vai perceber nada. Você pode aparecer de Armani ou enrolada em um saco de batatas, tanto faz. Eles não reparam em detalhe nenhum, mas sabem dizer quando estamos bonitas (só não sabem o porquê). Mas, é como dizia Angie Dickinson: 'Eu me visto para as mulheres e me dispo para os homens’. Não tem como, a gente se arruma, mesmo que eles não reparem.

Escolhida a roupa, com a resignação que você vai errar, para mais ou para menos, vem a etapa do banho. Depois do banho e do cabelo, vem a maquiagem. Nessa etapa eu perco muito tempo. Lá vai a babaca separar cílio por cílio com palito de dente depois de passar rímel.

Depois vem a hora de se vestir. Homens não entendem, mas tem dias que a gente acorda gorda. É sério, no dia anterior o corpo estava lindo e no dia seguinte... PORCA! Não sei o que é (provavelmente nossa imaginação), mas eu juro que acontece. Muitas vezes você compra uma roupa para um evento, na loja fica linda e na hora de sair fica uma merda. Se for um desses dias em que seu corpo está uma merda e o espelho está de sacanagem com a sua cara, é provável que você acabe com um pilha de roupas recusadas em cima da cama, chorando, com um armário cheio de roupa gritando 'EU NÃO TENHO ROOOOOUUUUUPAAAA'. O chato é ter que refazer a maquiagem. E quando você inventa de colocar aquela calça apertada e tem que deitar na cama e pedir para outro ser humano enfiar ela em você? Uma gracinha, já vai para o jantar lacrada a vácuo. Se espirrar a calça perfura o pâncreas.

Ok, você achou uma roupa que ficou boa. Vem o dilema da lingerie. Salvo raras exceções, roupa feminina (incluindo lingerie) ou é bonita, ou é confortável.

Você olha para aquela sua calcinha de algodão do tamanho de uma lona de circo. Ela é confortável. E cor de pele. Praticamente um método anticoncepcional. Você pensa 'Eu não vou dar para ele hoje mesmo, que se f....a'. Você veste a calcinha. Aí bate a culpa. Eu sinto culpa se ando com roupa confortável, meu inconsciente já associou estar bem vestida a sofrimento. Aí você começa a pensar 'E se mesmo sem dar para ele, ele pode acabar vendo a minha calcinha... Vai que no restaurante tem uma escada e eu tenho que subir na frente dele... se ele olhar para essa calcinha, broxará para todo o sempre comigo...'.
Muito puta da vida, você tira a sua calcinha amiga e coloca uma daquelas porras mínimas e rendadas, que com certeza vão ficar entrando na sua bunda a noite toda. Melhor prevenir.

Os sapatos. Vale o mesmo que eu disse sobre roupas: ou é bonito, ou é confortável. Geralmente, quando tenho um encontro importante, opto por UMA PEÇA de roupa bem bonita e desconfortável, e o resto menos bonito mas confortável. FATO: Lei de Murphy impera. Com certeza me vai ser exigido esforço da parte comprometida pelo desconforto. Exemplo: Vou com roupa confortável e sapato assassino. Certeza que no meio da noite o animal vai soltar um 'Sei que você adora dançar, vamos sair para dançar! Eu tento fazer parecer que as lágrimas são de emoção. Uma vez, um sapato me machucou tanto, mas tanto, que fiz um bilhete para mim mesma e colei no sapato, para lembrar de nunca mais usar! Porque eu não dei o sapato? Porra... me custou muito caro. Posso não usá-lo, mas quero tê-lo. Eu sei, eu sei, materialista do c…. Vou voltar como besouro de esterco na próxima encarnação e comer muito coco para ver se evoluo espiritualmente! Mas por hora, o sapato fica.

Depois que você está toda montadinha, lutando mentalmente com seus dilemas do tipo 'será que dou para ele? É o terceiro encontro, talvez eu deva dar...' Começa a bater a ansiedade. Cada uma lida de um jeito.

Tenho um faniquito e começo a dizer que não quero ir. Não para ele, ligo para a infeliz da minha melhor amiga e digo que não quero mais ir, que sair para conhecer pessoas é muito estressante, que se um dia eu tiver um AVC é culpa dessa tensão toda que eu passei na vida toda em todos os primeiros encontros e que quero voltar tartaruga na próxima encarnação. Ela, coitada, escuta pacientemente e tenta me acalmar.

Agora imaginem vocês, se depois de tudo isso, o filho da puta liga e cancela o encontro? 'Surgiu um imprevisto, podemos deixar para semana que vem? ‘.

Gente, não é má vontade ou intransigência, mas eu acho inadmissível uma coisa dessas, a menos que seja algo muito grave! Eu fico puta, puta, PUTA da vida!
Claro, na cabecinha deles não custa nada mesmo, eles acham que é simples, que a gente levantou da cama e foi direto pro carro deles. Se eles soubessem o trabalho que dá, o estresse, o tempo perdido... nunca ousariam remarcar nada.
Se f...e aí! Vem me buscar de maca e no soro, mas não desmarque comigo! Até porque, a essas alturas, a dieta radical do queijo está quase te fazendo desmaiar de fome, é questão de vida ou morte a porra do jantar!
NÃO CANCELEM ENCONTROS A MENOS QUE TENHA ACONTECIDO ALGO MUITO, MUITO, GRAVE! DO TIPO...MORRER A MÃE OU O PAI TER UM AVC NO TRÂNSITO.

Supondo que ele venha. Ele liga e diz que está chegando. Você passa perfume, escova os dentes e vai. Quando entra no carro já toma um eufemismo na lata 'HUMMM... tá cheirosa!' (tecla sap: 'Passou muito perfume, porra'). Ele nem sequer olha para a sua roupa. Ele não repara em nada, ele acha que você é assim ao natural. Eu não ligo, porque acho que homem que repara muito é meio viado, mas isso frustra algumas mulheres. E se ele for tirar a sua roupa, grandes chances dele tirar a calça junto com a calcinha e nem ver.
Pois é, Minha Amiga, você passou a noite toda com a rendinha atochada no rego (que por sinal custou muito caro) para nada.. Homens, vocês sabiam que uma boa calcinha, de marca, pode custar o mesmo que um MP4? Favor tirar sem rasgar.

Quando é comigo, passo tanto estresse que chego no jantar com um pouco de raiva do cidadão. No meio da noite, já não sinto mais meus dedos dos pés, devido ao princípio de gangrena em função do sapato de bico fino. Quando ele conta piadas e ri eu penso 'É, eu também estaria de bom humor, contando piada, se não fosse essa calcinha intra-uterina raspando no colo do meu útero'. A culpa não é deles, é minha, por ser surtada com a estética. Sinto o estômago fagocitando meu fígado, mas apenas belisco a comida de leve. Fico constrangida de mostrar toda a minha potência estomacal assim, de primeira.

Para finalizar, quero ressaltar que eu falei aqui do desgaste emocional e da disponibilidade de tempo que um encontro nos provoca. Nem sequer entrei no mérito do DINHEIRO. Pois é, tudo isso custa caro. Vou fazer uma estimativa POR BAIXO, muito por baixo, porque geralmente pagamos bem mais do que isso e fazemos mais tratamentos estéticos:

Roupa... ............ .......... R$ 200,00
Lingerie.. ........... ..........R$ 80,00
Maquiagem..... ....... ........R$ 50,00
Sapato........... .... ..........R$ 150,00
Depilação..... ......... .......R$ 50,00
Mão e pé................. ......R$ 15,00
Perfume...... …..... ..........R$ 80,00
Pílula anticoncepcional. ......R$ 20,00

Ou seja, JOGANDO O VALOR BEM PARA BAIXO, gastamos, no barato, R$ 500,00 para sair com um Zé Ruela.
Entendem porque eu bato o pé e digo que homem TEM QUE PAGAR O MOTEL?

A gente gasta muito mais para sair com eles do que ele com a gente!


CONSIDERAÇÕES FILOSÓFICAS ... no feminino



Considerando que:

Os homens bons são feios.
Os homens bonitos não são bons.
Os homens bonitos e bons são gays.
Os homens bonitos, bons e heterossexuais estão casados.
Os homens que não são bonitos, mas são bons, não têm dinheiro.
Os homens que não são bonitos, mas que são bons e com dinheiro, pensam que só estamos atrás de seu dinheiro.
Os homens bonitos, que não são bons e são heterossexuais, não acham que somos suficientemente bonitas.
Os homens que nos acham bonitas, que são heterossexuais, bons e têm dinheiro, são covardes.
Os homens que são bonitos, bons, têm dinheiro e graças a Deus são heterossexuais, são tímidos e NUNCA DÃO O PRIMEIRO PASSO!
Os homens que nunca dão o primeiro passo, automaticamente perdem o interesse em nós quando tomamos a iniciativa.
AGORA... QUEM NESSE MUNDO ENTENDE OS HOMENS?


MORAL DA HISTÓRIA:
Homens são como um bom vinho. Todos começam como uvas, e é dever da mulher pisa-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia pro jantar.

'Mulheres existem para serem amadas, não para serem entendidas.'
(Vinicius de Moraes)


segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Rui Neves da Silva - in memorium

Vencido sem remédio na derradeira luta abalou hoje o Rui Neves da Silva. Leva no alforge para a viagem uma vida plena, cheia de trabalhos e canseiras, alegrias e vitórias, e muita saudade dos seus que por cá ficaram.
A vida foi pequena para tanto Homem!
Talvez na bravura do mar, que entrava terra adentro na sua vila de Espinho, aprendeu a não temer as tempestades. Para sobreviver, ele e os seus, escreveu mil histórias sem título que a Agência Portuguesa de Revistas dava à estampa nos anos 60.
Com uma formação académica superior ligada à contabilidade e à economia das empresas, a sua carreira profissional desenvolveu-se no âmbito da auditoria financeira numa empresa britânica da especialidade a operar em Portugal, até ser, por diversas vezes, interrompida com consecutivas chamada às fileiras do Exército, durante os anos da Guerra de África. Terminou os seus largos anos de oficial, a comandar, em combate e como capitão, uma companhia no Leste de Angola.
Com a mestria de quem viveu e sabe contar, escreveu um livro, notável pelo testemunho de um tempo:"Milicianos - os piões das nicas". Simplesmente, brilhante.
Este ano, voltou a nos surpreender com outro interessante romance: " A Comendadora", baseado numa história verdadeira passada nos anos 30 no Norte do país.
Homem de afectos e carinhos deixa em todos nós a saudade de mais um camarada que parte. De mais um dos bravos capitães milicianos que, na guerra, souberam honrar a Pátria. De um Português de espinha direita que, sem cedências nem lamúrias, soube, SEMPRE, cumprir o seu Dever.
Sem querer ser vulgar, hoje, nas tertúlias onde se cante o fado, que ele tantas vezes também cantou, deveria fazer-se silêncio...
que se calem os fadistas e as guitarras, pois um Poeta morreu!
- Clarim: Morreu um Soldado. Toca a silêncio!
Com muita saudade
JS

DESEJO






Desejo primeiro, que você ame,
e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
que mesmo maus e inconsequentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que, em pelo menos num deles,
você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
desejo ainda que tenha inimigos;
Nem muitos, nem poucos,
mas na medida exacta para que, algumas vezes,
você se interpele a respeito
das suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
mas não insubstituivel.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante;
não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você sendo jovem
não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
e que sendo velho não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
e é preciso que elas escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste;
não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
que o riso diário é bom;
o riso habitual é insosso
e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
com a máxima urgência.
acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos,
injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo que você afague um gato,
alimente um cuco e ouça o rouxinol
erguer triunfante o seu canto matinal;
porque assim, você bem por nada.

Desejo que você plante uma semente,
por mais minúscula que seja,
e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas
muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo outrossim, que você tenha dinheiro,
porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
coloque um pouco dele
na sua frente e diga "isso é meu",
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum dos seus afectos morra,
por ele e por você,
mas que se morrer, você possa chorar
sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você, sendo um homem,
tenha uma boa mulher,
e que sendo mulher,
tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e o dia seguinte,
e quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
não tenho nada mais a desejar.


VICTOR HUGO


domingo, 25 de Outubro de 2009

OS TRES PILARES DA ECONOMIA


sábado, 24 de Outubro de 2009

Dê picante à sua vida...



Hoje em dia, parece que tudo o que é bom faz mal, mas os amantes da comida indiana têm boas razões para alegrar-se.
Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh revelou que a capsaicina, o composto que torna as malaguetas picantes, combate activamente o cancro do pâncreas, levando as células cancerosas a autodestruírem-se.
Num estudo separado do Centro Oncológico M D. Anderson, da Universidade do Texas, descobriu-se que a curcumina, que se encontra no açafrão-das-índias e em muitos pós de caril, bloqueava uma via de passagem biológica necessária ao desenvolvimento dos melanomas e outros cancros. Já se sabia que a curcumina tinha propriedades anti-oxidantes e anti-inflamatórias;
Esta nova descoberta também pode ajudar a explicar porque é que a Índia regista dez vezes menos casos de cancros do cólon, mama, próstata e pulmões do que o país que em todo o Mundo gasta mais dinheiro em medicamentos: os Estados Unidos.

É DE RIR .....



SÓ O PUGRAMA NOBAS OPURTONIDADES É QUE NOS BAI SALBAR...É BERDADE!


As seguintes afirmações foram retiradas de diversas provas globais este ano:


Biologia
'A respiração anaeróbia é a respiração sem ar que não deve passar de três minutos.'
(Queria ver o artista a experimentar)
' As plantas distinguem-se dos animais por só respirarem à noite.'
(E tu enquadras-te em que categoria? A julgar pela falta de oxigénio no cérebro deve ser na 1ª, não?)
'Os crustáceos fora de água respiram como podem.'
(É como a resposta: respondeu como pôde...)
'Carácter sexual secundário são as modificações morfológicas sofridas por um indivíduo após manter relações sexuais.'
(Deves ser cá um leão na cama!)
'A insónia consiste em dormir ao contrário.'
(Eu é que te viro ao contrário, sua anta!)
'Quando um animal irracional não tem água para beber, só sobrevive se for empalhado.'
(Por essa ordem de ideias, já há algum tempo que não deves ter nada para beber...)
'O coração é o único órgão que não deixa de funcionar 24 horas por dia.'
(Pois, e os outros vão todos prós copos!)
'Os ruminantes distinguem-se dos outros animais porque o que comem, comem duas vezes.'
(Este fala por experiência própria, com certeza!)
'As aves têm na boca um dente chamado bico.'
(Tu é que precisavas de levar um bico nessa boca!)
'A principal função da raiz é enterrar-se.'
(Já te enterraste e bem )
'O vento é uma imensa quantidade de ar.'
(E ar é o que não falta dentro dessa cabecinha!)

História
'O objectivo de uma Sociedade Anónima é ter muitas fabricas desconhecidas.'
(E a sociedade por quotas é constituída por pessoas com alguma idade , certo?)
'Na Grécia a democracia funcionava muito bem porque os que não estavam de acordo envenenavam-se.'

'As múmias tinham um profundo conhecimento de anatomia.'
(Eram muitos espertas, as múmias!)
'A arquitectura gótica notabilizou-se por fazer edifícios verticais.'
(Bem visto, nunca tinha reparado nisso!)
'A febre amarela foi trazida da China por Marco Polo..'
(E a febre tifóide, terá vindo da Tifolândia?)
'A harpa é uma asa que toca.'
(Tu é que podias bater as asinhas e ir cantar para outra freguesia...)
'Péricles foi o principal ditador da democracia Grega.'
(...Ou terá sido o principal democrata da ditadura Grega?!)
'Os Egípcios antigos desenvolveram a arte funerária para que os mortos pudessem viver melhor.'
(E resultou! Basta ver o ar de felicidade das múmias, quando saem da pirâmide para dar uma volta...)

Geografia
'O petróleo apareceu há muitos séculos, numa época em que os peixes afogavam-se dentro de água.'

'O problema fundamental do terceiro mundo é a superabundância de necessidades.'

Geologia
'Terramoto é um pequeno movimento de terras não cultivadas.'
(Sim, porque as terras cultivadas não se metem nisso!)

Química
'Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigénio.'
(Um gajo já não pode ser bom!...)

recebido por e-mail

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

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António Lobo Antunes



É uma delícia ouvi-lo!
É como mergulhar nas águas límpidas e tépidas do mar de Cabo Verde, ou, se quiserem, regressar às águas amnióticas onde todos nos iniciámos!
A humanidade dos afectos, o sentir profundo das coisas que são reais e o olhar sereno sobre a vida, suas grandezas e misérias, a dor e a vontade de viver, e o que é complexo por ser tão simples, dão a grande dimensão deste enorme escritor: um Homem!
A sua obra literária há muito que o tornaram imortal.
Sem tempo.
Sem antes nem depois.
Intemporal.
Somente.
E fico a contemplar este imenso mar de amor e compreensão, eu que mais não sou senão a levada que, no Inverno, fazia andar a mó do moinho, e passava junto da casa dos meus avós.


quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Amar se aprende amando...



De hoje em diante todos os dias ao acordar, direi: - Eu hoje vou ser feliz !
Vou lembrar de agradecer ao sol pelo seu alor e luminosidade.
Sentirei que estou vivendo, respirando.
Posso desfrutar de todos os recursos da natureza gratuitamente.
Não preciso comprar o canto dos pássaros, nem o murmúrio das águas do mar.
Lembrarei de sentir a beleza das árvores e das flores.


Vou sorrir mais, sempre que puder.
Vou cultivar mais amizades e neutralizar as inimizades.
Não vou julgar os atos de meus semelhantes ou companheiros.
Vou aprimorar os meus.
Lembrarei de ligar para alguém para dizer que estou com saudade !
Reservarei minutos de silêncio para ter a oportunidade de ouvir.
Não vou lamentar nem amargar as injustiças.
Vou pensar no que posso fazer para diminuir seus efeitos.
Terei sempre em mente que um minuto passado, não volta mais.
Vou viver todos os momentos, proveitosamente.
Não vou sofrer por antecipação prevendo futuros incertos, nem com atraso,
lembrando de coisas sobre as quais não tenho mais ação.
Não vou pensar no que não tenho e que gostaria de ter,
Mas em como ser feliz com o que possuo.
E, o maior bem que possuo, é a própria vida!
Vou lembrar de ler uma poesia e de ouvir uma canção,
Vou dedicá-las a alguém.
Vou fazer alguma coisa para alguém, sem esperar nada
Em troca, apenas pelo prazer de ver alguém sorrir.
Vou lembrar que existe alguém que me quer bem.
Vou dedicar uns minutos de pensamento para os que já
Se foram, para que saibam que serão sempre uma doce
lembrança, até que venhamos a nos encontrar outra vez.


Vou procurar dar um pouco de alegria para alguém,
Especialmente quando sentir que a tristeza e o desânimo querem se aproximar.
E, quando a noite chegar, vou olhar para o céu, para as estrelas e para o luar e agradecer a Deus...
Porque hoje eu fui feliz!...


Carlos Drumond de Andrade


ENCONTRO DOS ANTIGOS COMBATENTES




Caros Conterrâneos e Antigos Combatentes no Ultramar:



Uma Palavra, hoje infelizmente tão esquecida, justificaria, só por si, a presença de todos nós neste Encontro.
Essa Palavra é PÁTRIA – a nossa Pátria, o nosso Portugal.
Honrando e defendendo a sua existência – um Legado dos nossos Avós –, honramos e defendemos um Espaço Sagrado, cujas fronteiras de mais de oitocentos anos, são as mais antigas desta Velha Europa. Mas não só! Dou a palavra ao historiador Michael Harsgsor na sua obra “Portugal in Revolution”:
“Na verdade, desde o séc. III, Portugal mantém as suas fronteiras continentais praticamente intocáveis e consequentemente as mais antigas do mundo” (fim de citação).
Mas, para além desse Espaço Sagrado, lembramos e honramos prioritariamente - hoje e aqui -, a Gesta Lusa que deu “novos mundos ao Mundo”. Essa gigantesca Aventura, que foi um Devir constante da Alma Lusitana, só foi possível porque o nosso heróico Povo conseguiu gerar de entre as suas gentes, os Valentes Capitães que foram “da lei da morte libertados” ao escreverem as páginas mais gloriosas da nossa História.
Em linguagem dos nossos dias, a instituição herdeira da Missão, Ideais e Valores legadas por esses Valentes Capitães, reside nas Forças Armadas Portuguesas, último garante da soberania e independência da Nação.
Foi essa missão – por vezes tão dura, mas sempre nobre – que às Forças Armadas coube assumir ao longo de oito séculos de História.
Se nos concentrarmos apenas nos tempos mais recentes – o já findo séc. XX em que nascemos –, as Forç
as Armadas Portuguesas foram chamadas a intervir, com nossos Avós, na IGG (1914-18) e com nós próprios, décadas depois, na Guerra do Ultramar (1961-74). E estes foram anos bem duros, sem dúvida, entre “perigos e guerras esforçados”, como diria o nosso Épico imortal.
Ninguém contesta que a GUERRA – seja ela qual for, onde for e contra quem for – constitui sempre uma enorme calamidade, a todos os títulos indesejável. Mas diz a realidade histórica que é um fenómeno recorrente e tão antigo quanto a própria humanidade.
Muito bem vinda é sempre a PAZ, uma Paz justa e duradoura. Porém, não esqueçamos que já em 390 DC, o notável pensador romano Publius Renatus (Publius Flavius Vegetus Renatus) chamava a atenção para outra realidade: “Si Vis Pacem Para Bellum”, que quer dizer “Se queres a Paz, prepara a Guerra”. Ora é bem sabido como mal andaram os Povos que disso não tomaram boa nota.
Mas voltando ao que pessoalmente nos tocou enquanto Antigos Combatentes no Ultramar, nunca será demais lembrar que não foi Portugal a iniciar esse último conflito em que se viu envolvido durante 13 anos. É um facto que não foi. Aconteceu antes uma súbita acção de guerrilha que foi movida a soldo da cobiça e interesses estranhos, a qual levou o terror a portugueses indefesos (e alguns deles saídos desta nossa aldeia). A Nação foi obrigada a reagir pelo que a todos viria a exigir grandes sacrifícios. Para muitos exigiu mesmo a dádiva suprema da própria vida.
Saibamos ser dignos deles, honrando a sua memória com humildade e com respeito. É por isso e para isso que aqui estamos!
Não há outra ilação a tirar destes Encontros ou do tão representativo Painel junto ao Adro da nossa Igreja Matriz.
Nem se misture o dever cumprido, que só nos honra, com ilações ou controvérsias de qualquer outra ordem.
Com efeito, não é a esse nível que se situam estes nossos convívios de Antigos Combatentes da Meimoa. Situamo-nos seguramente ao nível dos Valores visando a exaltação da nobreza do nosso Povo. Povo esse que é o “detentor das virtudes da Raça” no feliz enunciado do eminente beirão, Dr. Jaime Lopes Dias.
Do que se trata, em suma, neste nosso convívio é tão-somente de um Encontro com a nossa História.
Não me foi possível estar presente nas Reuniões anteriores por motivos graves de saúde ou de carácter inadiável. Permitam-me assim que, hoje perante vós e enquanto membro mais antigo das FA, nascido neste recanto serrano de pergaminhos milenares – a nossa MEIMOA, Princesa hodierna da Cova da Beira, como já o fora da Nutricience Romana –, permitam-me, repito, que saúde efusivamente a tão patriótica iniciativa que vem dando lugar a estes eventos.

A todos nós que nos batemos em defesa da nossa Pátria, qualquer que tenha sido o posto, lugar ou condição, cabe o conforto do dever cumprido. É a certeza deste sentimento que poderá também dar sentido ao sacrifício último dos que já não estão entre nós. E de entre estes, a quem coube a dádiva suprema, desejo evocar com especial emoção e o mais profundo respeito os combatentes da Meimoa, caídos no Ultramar ao serviço da Pátria. A eles dediquei o Soneto, que aquando do 1º Encontro, enviei ao nosso Presidente da JF, Joaquim Cabanas.
Embora nessa altura já tenha sido apresentado por especial gentileza do nosso companheiro, antigo combatente Juiz Desembargador Celestino Cabanas Bento, seja permitido que pessoalmente o recorde e reviva neste fraterno Encontro.
AOS ANTIGOS COMBATENTES DA MEIMOA


Eu te saúdo Antigo Combatente
Como espelho da Pátria quecontemplo;
Revejo em ti o Portugal Valente
E quão digno da História é teu exemplo.

Aquém e Além-mar soubeste erguer
Mais alta ainda a Gesta Lusitana
Honrando o destemor e o querer
Das gentes rijas que este Povo irmana.
Seja este humilde verso o pedestal
Que sendo teu, o deste a Portugal,
Dádiva dum sentir que em nós ressoa

Porque é orgulho de nossos Avós.
Cale bem fundo em cada um de nós
A gratidão dos filhos da MEIMOA!



Homenagem aos Antigos Combatentes da Meimoa, lembrando os que tombaram no Ultramar ao serviço da Pátria:
.Em Angola - Capitão Francisco Pires Bento, a 4JUL1918
.Em Moçambique - Alferes João José Fonseca Nabais, a 8FEV1974
.Em Angola - Sargento Manuel dos Reis, 1961

João Afonso Bento Soares
Major General
Meimoa aos 18 de Outubro de 2009

Outono ... tempo do sonho!

"Amo tudo o que é velho: velhas camisolas, velhos amigos, velhos tempos, velhas maneiras, velhos livros, velhos vinhos..."
Olivier Goldsmith
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terça-feira, 20 de Outubro de 2009

E esta ... en?!






No exterior do England 's Bristol Zoo existe um parque de estacionamento para 150 carros e 8 autocarros. Durante 25 anos, a cobrança do estacionamento foi efectuada por um muito simpático cobrador.
As taxas eram o correspondente a 1.40 € para carros e 7.00 € para os autocarros. Um dia, após 25 sólidos anos de nenhuma falta ao trabalho, o cobrador simplesmente não apareceu.
A administração do Zoo, então, ligou para a Câmara Municipal e solicitou que enviassem um outro cobrador.
A Câmara fez uma pequena pesquisa e respondeu que o estacionamento do Zoo era da responsabilidade do próprio Zoo, não dela.
A administração do Zoo respondeu que o cobrador era um empregado da Câmara.
A Câmara, por sua vez, respondeu que o cobrador do estacionamento jamais fizera parte dos seus quadros e que nunca lhe tinha pago ordenado.
Enquanto isso, descansando na sua bela residência nalgum lugar da costa da Espanha (ou algo parecido), existe um homem que, aparentemente, instalou a máquina de cobrança por sua conta e então, simplesmente começou a aparecer, todos os dias, cobrando e guardando as taxas de estacionamento, estimadas em 560 € por dia... durante 25 anos!!! Assumindo que ele trabalhava os 7 dias da semana, arrecadou algo em torno de 7 milhões de Euros. E ninguém sabe, nem sequer, o seu nome ...!!!


»Transcrito do The London Times»


quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Noite



Embala-me, embala-me,
Ou canta-me cantigas,
Cantigas antigas de embalar meninos.
- Que a tua voz seja um cântico
Onde a minha alma descanse
E alcance os seus destinos.
Que tenha sonhos brancos e suaves,
Aves roçando leve o meu sonhar
Embalando breve, junto a ti, sonhando
- Ó noite velha, sem estrelas e sem lua,
Nua e tua sinto bem minha alma
Na calma de um lugar agónico e brando.
E canta, canta, meu amor, encanta
Com essa tua voz sonhada e benta,
E lenta, lenta, meu amor, tão lenta.
- Deixa correr a vida!
Que importa a vida,
Se no ponto da partida
No teu canto o meu anseio se atormenta!?

António Sousa Freitas
(nasceu em Buarcos, Figueira da Foz a 1 de Janeiro de 1921 – m. em Lisboa, a 30 de Junho de 2004)


quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

O Tejo é mais belo…



O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
7-3-1914
Alberto Caeiro
(Fernando Pessoa)

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

RES PUBLICA


Os meus amigos - Oscar Wilde






Escolho os meus amigos não pela pele ou por outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não me interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria. Amigo que não ri connosco não sabe sofrer connosco. Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas que lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade de infância e outra metade de velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois vendo-os loucos e santos, tolos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde


As minhas férias inesqueciveis


segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Pra além do mar há a bruma...




Sou o Espírito da treva,
A Noite me traz e leva;

Moro à beira irreal da Vida,
Sua onda indefinida

Refresca-me a alma de espuma...
Pra além do mar há a bruma...

E pra aquém? há Cousa ou Fim?
Nunca olhei para trás de mim...


Fernando Pessoa
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domingo, 11 de Outubro de 2009

A VOZ QUE VEM DE LONGE

























O silêncio é a retórica dos amantes

Pedro Calderón de la Barca


Canção dos Rapazes da Ilha














Eu sei que fico.
Mas o meu sonho irá
Levado pelo vento,
pelas nuvens,
pelas asas.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá ...
Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos frutos, nos colares
E nas fotografias da terra,
Comprados por turistas estrangeiros
Felizes e sorridentes.

Eu sei que fico mas o meu sonho irá ...
Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Metido na garrafa bem rolhada
Que um dia hei de atirar ao mar.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá ...
Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos veleiros que desenho na parede.


Aguinaldo Fonseca

sábado, 10 de Outubro de 2009

Mãe Negra


A mãe negra embala o filho.
Canta a remota canção
Que seus avós já cantavam
Em noites sem madrugada.

Canta, canta para o céu
Tão estrelado e festivo.

É para o céu que ela canta,
Que o céu
Às vezes também é negro.

No céu
Tão estrelado e festivo
Não há branco, não há preto
Não há vermelho e amarelo.
-Todos são anjos e santos
Guardados por mãos divinas.

A mãe negra não tem casa
Nem carinhos de ninguém...
A mãe negra é triste, triste,
E tem um filho nos braços...
Mas olha o céu estrelado
E de repente sorri.
Parece-lhe que cada estrela
é uma mão acenando
Com simpatia e saudade...


Aguinaldo Fonseca
CABO VERDE


terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Si bu skecen n ta skeceu até a hora ki bo voltá...saudadi, saudadi!


Aqui, do meio do oceano, na República de Cabo Verde, lembro a minha primeira passagem pelo aeroporto do Sal, em Abril de 1961, começava então a guerra em Angola. Passámos por aqui com os meus soldados, no meio da noite, com uma enorme dor de dentes e com um calor terrível e mosquitos mais que insuportáveis.
Voltei em 1986 após o término da revolução e gostei.
Agora, dezoito anos depois, reencontro a África, nestas boas gentes, hospitaleiras e modestas, que nestes anos construíram uma Pátria, e deram um exemplo ao mundo com uma Democracia que funciona. Nestas águas mornas, com praias sem fim, de areia fina e branca, onde o vento se penteia nos coqueiros são momentos de delicia ouvir as mornas que no vento trazem os lamentos, as saudades e os amores destas gentes.
A minha gente.
A África da minha saudade

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

INSTANTES




Se pudesse viver novamente a minha vida.
Na próxima, trataria de cometer muitos mais erros,
Não pretenderia ser tão perfeito;
Descansaria mais.
Seria mais louco do que tenho sido,
De facto, tomaria muito poucas coisas com seriedade;
Seria muito mais higiénico.
Correria mais perigos, faria mais viagens,
Contemplaria mais amanheceres,
Subiria mais montanhas, nadaria em mais rios.
Iria a lugares que nunca fui,
Comeria mais gelados do que feijões,
Teria mais problemas reais e menos imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu com juízo
E prolificamente cada minuto da sua vida,
Claro que tive momentos de alegria
Mas se pudesse voltar atrás, trataria de ter
Só bons momentos.
Não sei se sabem, que disso é feita a vida, só de
Momentos; não te preocupes com este de agora.
Eu era um desses que nunca ia a nenhuma parte
Sem um termómetro, um saco de água quente,
Um guarda-chuva e um paraquedas, se pudesse voltar a viver
Viajaria mais leve.
Se pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no
Princípio da Primavera, e continuaria assim até terminar
O Outono. Daria mais voltas em calções, contemplaria
Mais amanheceres e brincaria com as crianças,
Se tivesse outra vida por diante.
Mas já vêm,
Tenho oitenta e cinco anos e estou morrendo
.


Jorge Luiz Borges
Outubro, 29 - 2004
( Tradução de João Sena )

Olá



Vou passar uma semana à ilha do Sal em Cabo Verde.
Tentarei de lá dar continuidade a este nosso diálogo para mim tâo gratificante.
Se conseguir entrar em contacto, ver-se-ão os resultados; doutra forma, poderão sempre rever o muito que por aqui já ficou!
Um abraço e até já!
Como diria o meu saudoso e querido amigo, Raúl Solnado:
Façam o favor de serem felizes
JS

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

VIVER EM PORTUGAL





Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a hora!


Fernando Pessoa
in - MENSAGEM


Dans tout le mouvement




Je l'aime un peu, beaucoup, passionnément,
Un peu c'est rare et beaucoup tout le temps.
Passionnément c'est dans tout le mouvement :
Il est caché sous cet un peu bien sage
Et dans : beaucoup il bat sous mon corsage
Passionnément ne dort pas davantage
Que mon amour aux pieds de mon amant
Et que ma lèvre en baisant son visage

Louise de Vilmorin

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

José Tomaz: O TOUREIRO !!

Há poesia em tudo
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À esquina do tempo

O amor é uma coisa solitária. É esta descoberta que faz sofrer.
Carson McCullers
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As time goes by

Cada um faz a sua poesia, não importe se é ou não Poeta.
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segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

ALLGARVE

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OS ABUTRES


"Jorge Neto, deputado, presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Finanças - "Esta derrota é o corolário de um conjunto de erros que o partido cometeu e que podiam ser evitados. Alguém vai ter que assumir as responsabilidades da derrota. Esse debate vai ter que ser travado inexoravelmente no PSD. Esta direcção política do PSD tem de assumir responsabilidades dos erros que cometeu e que levaram a esta derrota. Houve uma sucessão de erros imperdoáveis."

Mira Amaral, ex-ministro da Indústria - "Manuela Ferreira Leite está acabada politicamente devido ao desastre eleitoral. Este resultado era previsível. A senhora [Manuela Ferreira Leite] não tinha quaisquer condições nem a mínima categoria para ser líder do PSD nem de ser primeira-ministra. Eu avisei no dia em que a senhora se candidatou. Não me quiseram ouvir, agora reflictam sobre o desastre que se criou. Se não se demitir hoje vai em morte vegetativa até às eleições autárquicas."

Marco António Costa, presidente da Comissão Política Distrital do Porto - "Os resultados devem fazer reflectir o partido. O PSD deve fazer um corte geracional nas suas elites dirigentes e fechar a página do cavaquismo, libertando-se de todas as suas reminiscências e influências."

Luís Filipe Menezes, presidente da câmara de Gaia e ex-líder do PSD - "Não vamos ser hipócritas. Esta direcção política não tem condições para continuar, acho que é um consenso no partido e um consenso nacional. E uma mudança de rumo é fundamentalmente uma mudança de geração. Para encontrar um rumo temos de apostar na geração dos 40 anos, nos jovens de 30 anos saídos das universidades, num líder jovem, arejado. Não podemos ficar virados para o passado."


COM ESTA GENTE: - Nem ontem, nem hoje, nem nunca. Jamais ! (em francês, claro!)


domingo, 27 de Setembro de 2009

É Outono

O apogeu antes da morte !
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Natação no Fundão - 1953


Da esquerda para a direita:
primeiro plano: João Jana
segundo plano: João Sena, Eduardo Saraiva. Prof. Manuel Barbeiro, António Gascão, João Rainha Pereira
terceiro plano: Cataninho, Júlio Gavinhos, Pedro Almeida e António Matos
quarto plano: António Máximo, José Santos Marques, Manfred, Luis Serra e Santos, José Brito, Carlos Carneiro

SEM OLHAR PARA TRÁS